quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Carta de apoio ao povo Guarani Kaiowá

Nós, da TEIA de Agroecologia dos Povos, queremos explicar à presidenta da república que a situação dos Povos Indígenas não é questão de polícia, nem tão pouco do exército brasileiro, a questão indígena é a urgência na demarcação das terras, principalmente as terras dos Povos Guaranis e Guaranis Kaiowá.

Queremos salientar à presidenta que quem votou na senhora foi a esquerda brasileira e a senhora está administrando para a direita. Vamos dar alguns exemplos: a política econômica entregou aos banqueiros; a direita saiu às ruas para tentar dar impeachment à senhora e bater panelaço e humilhar a presidência da república, a senhora amenizou dizendo que tudo não passava de “democracia brasileira”. Durante a sua visita aos EUA, um irresponsável passou dois dias em Washington para humilhá-la e nada aconteceu. Diante da humilhação, tanto os seguranças quanto o ministro da Justiça se calaram.

Quando é um chamado dos ruralistas, dos assassinos que massacraram e querem continuar matando os indígenas, a senhora e seu ministro colocam logo o exército e a força nacional para reprimir os indígenas e todo povo que luta por terra. Os indígenas, os povos originais, são cidadãos brasileiros e têm o direito de permanecer em suas terras. Será que a senhora só tem coragem de reprimir e mandar matar os pobres e todos aqueles votaram em vocês?

Foto: Marcelo Casal / ABR

Reflita, presidenta, e nos responda! Estamos cansados de votar na esquerda e sermos abandonados covardemente por vocês. O seu governo está a serviço de quem o elegeu ou está a serviço da direita? Se posicione, presidenta! Os povos indígenas e o povo negro não aguenta mais sofrer violências pelos racistas e perseguidores. Nas grandes periferias das cidades grandes, a polícia e as forças de repressão estão matando o povo negro. No campo, o exército e a Força Nacional está reprimindo e massacrando o povo indígena. Será que a senhora não entendeu e não entende que todas as terras brasileiras é do Povo Indígena? Será que não leu a constituição brasileira que tem a auto-determinação do povo indígena. Não eu qua constituição garante a proteção dos povos indígenas e a demarcação de suas terras? 

Se posicione de que lado a senhora está, presidenta Dilma. Estamos cansados desse governo medíocre de direita. A TEIA DOS POVOS EXIGE A IMEDIATA DEMARCAÇÃO DAS TERRAS DOS POVOS TUPINAMBÁS, DOS GUARANIS E GUARANIS KAIOWÁ E DE TODOS OS POVOS QUE LUTAM POR TERRAS, POIS ESSAS TERRAS PERTENCEM AOS POVOS ORIGINAIS. PELO FIM DO MASSACRE DOS POVOS INDIGENAS E DO POVO NEGRO.

Solange Brito e Joelson Ferreira
(Assentamento Terra Vista - BA)


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Chamada para a IV Jornada de Agroecologia da Bahia

A data da IV Jornada de Agroecologia da Bahia se aproxima. De 29 de outubro a 01 de novembro de 2015, no Assentamento Terra Vista - Arataca (BA). Espalhe essa semente!

Vídeo-registro do I Encontro de Mulheres da Teia dos Povos

Nos dias 21 e 22 de agosto de 2015, indígenas, quilombolas, assentadas, juventude e crianças se uniram no Assentamento Terra Vista durante o I Encontro de Mulheres da Teia de Agroecologia dos Povos. Abaixo, você confere um vídeo-registro de como foi.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Inclusão Digital no Assentamento Terra Vista

Entre os dias 17 e 20 de agosto, o Assentamento Terra Vista recebeu o curso de Cinema e Informática Básica. A atividade faz parte da reativação do nosso Centro Digital de Cidadania Rural (CDCR), chamado por nós de Cabaça, fruto da parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECTI), Incuba e Governo da Bahia.



O curso aconteceu durante o período da tarde dos quatro dias e, durante a noite, foram realizadas oficinas como: Informática Básica, Edição de Foto e Edição de Vídeo. O curso foi facilitado pelo educador Matheus Cunha, cineasta que ficou muito querido dentre @s participantes da oficina.



Tivemos a participação de jovens durante o curso e a oportunidade de integrá-los a pessoas de diferentes idades, principalmente na oficina de Informática Básica.



Como fruto do curso de Cinema apresentamos o curta "A Noite". Confira e compartilhe!


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Inscrições abertas para a IV Jornada de Agroecologia da Bahia


TEMA: "TERRA, TERRITÓRIO E PODER" 

É com grande satisfação que a Teia dos Povos anuncia a proximidade da IV Jornada de Agroecologia da Bahia, que acontecerá nos dias 29 de outubro a 1º de novembro. Nos últimos três anos, agregamos experiências e aprendizados ancestrais e atuais, de especificidades dos povos tradicionais, indivíduos construtores e do coletivo enquanto movimento de articulação e união de povos. Tais vivências são celebradas, refletidas, aprimoradas e difundidas no evento anual da Teia, que nomeamos como Jornada de Agroecologia da Bahia. 

Com o tema Terra, Território e Poder, estamos construindo a Jornada deste ano, que trará plenárias, painéis, oficinas e demais espaços para o debate e compreensão horizontal do empoderamento e acordos sobre o tema e suas consequências na atual conjuntura, na qual as ações incidem e afetam principalmente a nós indígenas, quilombolas, pequenos agricultores, assentadas(os) e acampadas(os). 

Além disso, a IV Jornada de Agroecologia da Bahia será um espaço de celebração e (re)encontro de culturas e conhecimentos tradicionais, com mulheres e homens indígenas, quilombolas, camponeses, população urbana, jovens, crianças e anciões, culminando em ricas trocas de saberes. Também é momento de apresentação da Teia dos Povos aos visitantes e novos membros. 

Nesses três anos, a Jornada ganhou progressivo espaço no calendário anual da região e dos movimentos que a compõem, em território nacional e até internacional. Para a construção da programação, contamos com a cooperação de nossos elos e parceiros para proporem à equipe focalizadora oficinas, minicursos, debates e outras possíveis propostas para avaliação. 

Aos Elos
Considerando seu elo/instituição importante na execução deste processo a(o), convidamos a participar da IV Jornada de Agroecologia da Bahia e colaborar para o acontecimento da mesma. Assim, solicitamos, se houver interesse, que os Elos proponham a atividade a ser ministrada e/ou a colaboração quanto a recursos humanos para o fortalecimento do evento e da TEIA, através do preenchimento do formulário INSCRIÇÃO OFICINAS. Esse apoio pode ser feito também entrando em contato direto com a equipe de organização da Jornada. 


SERVIÇO

Local: Assentamento Terra Vista – Arataca (BA)
Data: De 29 de outubro a 1 de novembro de 2015

Informações: (73) 8241.6688  |  (73) 8175-4297   |  (73) 8169-7529
E-mail: jornadadeagroecologiadabahia@gmail.com
Redes sociais: Fanpage da Jornada | Perfil da Teia dos Povos




INSCRIÇÕES

Há diferença na inscrição de elos e visitantes. Essas informações sobre taxas e demais dúvidas serão obtidas através do e-mail, no ato de inscrição.

- INSCRIÇÃO VISITANTE
- INSCRIÇÃO ELOS  

- INSCRIÇÃO OFICINAS


Hospedagem

O Assentamento Terra Vista oferecerá espaço de camping para os grupos e pessoas participantes da Jornada. Os alojamentos serão priorizadas para pessoas idosas e com crianças. Objetos pessoais e equipamentos levados são de responsabilidade individual do(a) participante. É importante levar: kit militante (copo, prato e talheres), barraca, cobertores ou sacos de dormir, colchonete ou isolante, roupas de banho e itens de higiene pessoal.


Alimentação

  • Elos: deverão trazer alimentação para a cozinha coletiva da Jornada, levando em conta a quantidade real de três refeições diárias, por pessoa.
  • Visitantes: deverão fazer a inscrição com pagamento e comprovante para garantia de participação.
  • Comunidades visitantes: contribuição com alimentação, material de limpeza e trabalho voluntário.



Conta para DOAÇÕES e depósito das INSCRIÇÕES

Banco do Brasil
Agência: 0837-0 | Conta corrente: 26109-2
Nome: Associação Territorial de Agroecologia Povos da Cabruca e da Mata Atlântica


Zine do I Encontro de Mulheres da Teia de Agroecologia da Bahia


Durante o I Encontro de Mulheres da Teia de Agroecologia dos Povos, foi confeccionado um zine coletivo, que traz uma síntese do encontro a partir de falas das companheiras que estiveram presentes. 

Zine é uma publicação artesanal, independente e livre, feita com colagens, ilustrações, escritos, poesias e o que a criatividade for capaz de realizar. Uma comunicação que fortalece a autonomia. 

Cada elo levou um zine para tirar cópias e compartilhar em suas comunidades. A ideia do zine é essa, a livre reprodução, sempre citando a fonte. Para quem não esteve no encontro e não viu o zine impresso, segue aqui dois links em PDF para imprimir e espalhar. 

Quando imprimir, fazer frente e verso e dobrar duas vezes, horizontalmente, formando um folheto. 




segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Registro do I Encontro de Mulheres da Teia de Agroecologia dos Povos

 
“Eu peço a benção à Mãe Terra e ao nosso Pai Tupã!”

“Mulher e Agroecologia: Pra fazer Soberania!”


É pedindo a benção e com um grito coletivo de luta e de união que se iniciou o I Encontro de Mulheres de Teia de Agroecologia dos Povos, no Assentamento Terra Vista, em Arataca (BA). Indígenas, quilombolas, assentadas, juventude urbana e crianças estiveram unidas em dois dias, 21 e 22 de agosto de 2015, para conviver, trocar experiências e dialogar sobre a participação das mulheres na luta pelo direito à terra a partir da Agroecologia. O Encontro também pautou a atuação feminina na IV Jornada de Agroecologia da Bahia, que já está com inscrições abertas.


Em rodas de diálogo e místicas foram levantados temas relacionados diretamente às práticas agroecológicas, em especial aos fazeres e saberes repassados e consolidados pelas mulheres através da oralidade. O encontro foi também um momento de articulação entre as mulheres da Teia dos Povos, pautando importantes encaminhamentos para a atuação feminina na IV Jornada de Agroecologia da Bahia, que será realizada entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro de 2015, no Assentamento Terra Vista, com o tema “Terra, Território e Poder”.



Místicas e Oficinas


“Não se seca raiz de quem tem sementes espalhadas para brotar”
(Poesias de Eliane Potiguara)

Entrelaçando os diálogos, o Encontro de Mulheres da Teia foi conduzido em vários momentos pelas místicas, momentos de ritualização e conexão com nossa ancestralidade, força que move mulheres e homens para seguir adiante na luta pela terra. As místicas foram conduzidas pelas mestras indígenas Pataxó, Pataxó Hãhahãe e Tupinambás.

Por entender que discurso sem a prática é prato vazio, realizamos três oficinas na manhã do dia 22, sábado: Horta Agroecológica, Sistemas Agroflorestais e Cacauada, ministradas por assentados do Terra Vista e membros da Teia. “Quando a gente fizer o que a gente fala é que a gente vai comer o que a gente quer”, reforçou a companheira Dora Silva, da Teia dos Povos.

Sobre a prática, o Encontro proporcionou uma nova experiência para os nossos companheiros de luta, que estiveram presentes na cozinha, preparando as refeições do Encontro. Isso mostra que é possível a presença masculina em atividades domésticas antes dogmatizadas como funções preferivelmente femininas. Após o Encontro, percebemos que é necessária a paridade de gênero nesses espaços, missão dada para os próximos encontros da Teia.




 
 
TEMÁTICAS DIALOGADAS


Soberania e Segurança Alimentar

O diálogo em torno da soberania alimentar começou com a conceituação de como a entendemos. A soberania diz respeito ao direito de todos os povos em ter uma alimentação saudável e o conhecimento sobre seus meios de produção, direito esse limitado com a formação do modelo de sociedade capitalista. “A 'dessoberania' surgiu com os resquícios do fim da II Guerra”, lembra a companheira Jéssica Camargo, da Frente Nacional de Lutas (FNL), explicando como as substâncias bélicas foram parar na agricultura e em nossas mesas, a partir do uso de adubos e fertilizantes derivados da guerra e comercializados pela multinacionais.

Tatiana Botelho, do Instituto Cabruca, citou o cruel ciclo de dominação das multinacionais. As mesmas empresas que produzem as sementes transgênicas são as que produzem agrotóxicos e manipulam remédios da indústria farmacêutica. Ou seja, dentro desse sistema ilusório, nos alimentamos de veneno e procuramos o mesmo veneno como antídoto às doenças por ele causadas. Entretanto, a Agroecologia e seus saberes tradicionais vêm como proposta prática e política ao enfrentamento da imposição capitalista. “A Agroecologia nada mais é que um conceito acadêmico para definir o resgate à forma como nossos ancestrais cultivavam a terra”, ressalta Fernanda Tanara, do Núcleo de Estudos e Práticas em Políticas Agrárias - NEPPA.



Sementes

Aniele Silveira, da Teia dos Povos, relatou um breve histórico sobre uma das principais empresas de transgênicos, a Monsanto. Essa multinacional, assim como a Singenta, Bayer, Dupont, Down, entre outras, possuem a patente de dezenas de sementes, impedindo a apropriação por parte das agricultoras e agricultores. A semente transgênica, além de não se reproduzir, é geneticamente enfraquecida para que necessite do uso de aditivos químicos, causando dependência financeira e alimentar, além de gerar impactos ambientais sobre o solo, as matas, as águas, animais e humanos.

Dona Maria Muniz, Pataxó Hãhãhãe, contou sobre o sucesso da reprodução de sementes crioulas em sua aldeia, a partir da troca de sementes realizada na II Jornada de Agroecologia da Bahia. Exemplo claro de que as sementes nativas e a agroecologia fortalecem não só a produção alimentar saudável, mas também a auto-organização das mulheres e a geração de renda. Essa fala lembra a importância de se pautar a criação e o fortalecimento das redes de sementes crioulas dentro dos territórios tradicionais e urbanos de resistência, conectando diferentes realidades de luta e estando presente em espaços de controle. “Devemos estar atentas aos acontecimentos políticos, pois neles há fortes intenções, e também ocupar espaços como as universidades”, ressalta Nádia Acauã, Tupinambá de Olivença.


Saberes Tradicionais

“Se a terra é mãe, é uma mãe doente, estuprada, espancada, cansada e marcada para morrer”. Assim a companheira Nancy Cardoso, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), sensibilizou o debate trazendo o entendimento sobre a opressão que a Mãe Terra vivencia e que é semelhante à opressão que as mulheres sofrem e lutam, juntas, para se libertar. Essa é uma relação importante entre a mulher e a Agroecologia. “Temos que tratar a terra bem, aí está nossa tarefa mística. A gente precisa ir para a política com essa concepção. Queremos ser Mulheres que gozam e sentem o prazer, assim como a Agroecologia é o prazer para a Mãe Terra.”

Os saberes tradicionais e a noção de identidade afirmam o empoderamento das mulheres na Agroecologia, pois elas são guardiãs dos conhecimentos da Terra, como o uso das ervas medicinais, o partejar, etc. Por isso, precisamos entender a tradição oral como conteúdo de conhecimento agroecológico, integrando ele com o dito conhecimento formal. Sobre isso, Dona Maria Muniz comenta: “A Universidade deve compreender as necessidades da gente e os nossos saberes ancestrais. Temos o conhecimento da terra! Nós, indígenas, quilombolas e não indígenas, cuidando da terra juntas, vamos mudar esse país. Temos que dizer como é a vida aos nossos jovens e ensiná-los a fazer o certo”.


“Olê Mariê,
Olê Mariá,
Mulher sai dessa cozinha,
Vem ocupar seu lugar!”


ZINE

Para compartilhar parte do que foi realizado no I Encontro de Mulheres da Teia de Agroecologia dos Povos, foi confeccionado um zine do encontro. Zine é uma publicação artesanal, independente e livre, feita com colagens, ilustrações, escritos, poesias e o que a criatividade for capaz de realizar. Uma comunicação que fortalece a autonomia. O zine do encontro foi produzido por várias mãos femininas e apresenta, resumidamente, uma cobertura do encontro a partir de falas das companheiras que estiveram presente. Cada elo levou uma cópia para suas comunidades, com a missão de copiar e distribuir para mais mulheres e também para os companheiros. Para baixar o PDF e imprimir, clique aqui.