terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Marcha em defesa das terras sagradas dos Tupinambá




Programação
- Aguarde detalhes em breve!


Informes importantes:
- Os grupos que irão participar da Marcha devem se organizar para chegar a São José, município depois de Buerarema-bahia, até 11h. É importante que os grupos se estruturem com água e algum lanche que possam comer antes de marchar. Pois, devemos almoçar-jantar na Aldeia; 
- São 2h30 de Marcha;
- Os coletivos devem se organizar em torno de transporte e arrecadação de alimentos;
- Todos devem levar barraca e colchão e Kit alimentação (prato, caneca, talher);
- Não é permitido na aldeia álcool e outras drogas (recomendação do Cacique Babau que os participantes respeitem isso);

Qualquer dúvida entre em contato com o e-mail jornadadeagroecologiadabahia@gmail.com ou pelos telefones 73 8141 5528 (claro)/ 9133 4104 - tim/ 9819 0706 - vivo.

Somos Uno com o Universo, Somos Todos Tupinambá

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Brigada de Audiovisual dos Povos realiza cobertura da II Jornada


Tecendo a Manhã.
João Cabral de Melo Neto

"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
 (a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão".

Foi assim galo por galo, grito por grito que fizemos a cobertura audiovisual, fotográfica, entrevistas, programas de rádio, blog, redes sociais, arte impressa, graffite e estencil, dando um importante apoio em toda assessoria de comunicação do evento. O resultado final de nosso trabalho pode ser acompanhado aqui no blog da Jornada, uma importante ferramenta que ajudará a divulgar ações agroecológicas dos Elos que realizaram o evento, assim como de todos que atua na perspectiva agroecológica no Brasil e América Latina.

A cobertura da II Jornada de Agroecologia da Bahia foi o último trabalho de 2013. O evento que foi realizado de 12 a 15 de dezembro é parte das ações da Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica e foi sediado no Assentamento Terra Vista (MST), em Arataca (BA). A partir do tema “AGROECOLOGIA: unindo povos e saberes”, a Jornada reuniu mais de 500 pessoas, entre indígenas, mestres de tradição oral, quilombolas, movimentos sociais, assentados, estudantes, pesquisadores e profissionais em Agroecologia.

A Brigada de Audiovisual dos Povos reafirmou seu compromisso com os elos que compõem a Teia, sem perder sua autonomia. Estamos abertos a dialogar com outras redes, organizações e parceiros de toda a Bahia e de outros estados, de forma a realizar ações de questionamento a qualquer modelo imposto, construindo assim uma linguagem cinematográfica que seja popular e possa atender aos anseios das organizações populares.

Como tudo começou?

A atuação da Brigada de Audiovisual dos Povos teve início com a produção de um vídeo nas comemorações dos  25 anos do MST no Estado da Bahia, em setembro de 2012. Deste então, a ideia de criar uma brigada para se apropriar do conhecimento técnico no audiovisual foi deixando de ser um sonho para se tornar realidade.

Em junho de 2013, a Brigada deu mais um passo ao realizar o 1º Mutirão Audiovisual.  Sentados numa enorme pedra no Assentamento Terra Vista, na beira do Rio Aliança, 15 jovens decidiram que a brigada seria um espaço de formação e articulação entre os povos interessados em ter sua história contada de sua própria forma. O tamanho, o formato e a organização desse trabalho não estavam claros, e até hoje não estão, mas consideramos isso como uma construção que vai se fazendo de pedra em pedra. O caminho se constrói na caminhada.

A certeza que permeia os membros da Brigada é que realizamos muitas coisas após este primeiro mutirão, desde encontros de comunicação comunitária para consolidar núcleos de trabalhos internos, acolhendo as contribuições de organizações parceiras, até assumindo a cobertura de eventos organizados por estes parceiros e outros movimentos sociais populares.

Aos poucos, já surgem algumas oportunidades de atividade remunerada como o Encontrão da Juventude do Campo e Cidade e a Ação Florescer, assim como outras missões voluntárias como as Pedagogingas e os Trechos da Teia Agroecológica. Todos estes trabalhos foram orientados pela Carta dos Princípios da Brigada de Audiovisual e seguem no exercício principal de colaborar com a formação técnica dos voluntários dos movimentos envolvidos, mas também, uma formação política e organizativa, de fazer a caminhada  da brigada e ser coerente com os princípios das comunidades que a integram.

Por que a comunicação é fundamental?

Acreditamos que a reapropriação dos meios e ferramentas de comunicação é elemento essencial para o fortalecimento e autonomia da luta popular. Através disso, sem a intervenção da grande mídia que oprime e silencia o povo, podemos contar nossa própria história, do nosso próprio jeito.

Queremos de alguma forma colaborar com a disponibilização de conteúdos audiovisuais que possam qualificar a educação popular, a militância e o cotidiano das comunidades, gerando também reflexões sobre a dominação dos povos feita pela grande mídia e pelos meios de comunicação da hegemonia ocidental, verdadeiros agrotóxicos da nossa luta e da autoestima coletiva de nossos povos.

Por isso usamos o audiovisual como instrumento de luta que colabora e se harmoniza com os outros instrumentos que em diferentes áreas têm contribuído para a garantia de territórios livre, comunitários saudáveis e autônomos!

Agradecimentos

Tudo isso só foi possível pela amadurecimento de cada um de nós que construiu a BRIGADA durante todo o ano, renovando a cada dia a esperança que é na noite de hoje que tecemos a manhã do dia que estar por vir. Um salve especial para toda a Brigada de Audiovisual dos Povos: Bob, Ronaldo, Wesley, Formiga, Camila, Anaíra, Quênia, Fabrício, Luara, Manu, Cauê, Nana, Dani, Say, Rodrigo e Emerson que ousaram sonhar juntos.

Porém, sabemos que um galo sozinho não tece a manhã, e por isso um salve mais do que especial aos que se aconchegaram durante a II Jornada: Ricardo, Nara e Keyane (Espaço Cultural Mercado Sul de Taguatinga - DF), Ronaldo Eli e TC Silva (Rede Mocambos), Cris e Mariana (Serra Grande - BA), Carla e Jairlan (Assentamento Terra Vista - BA), Ana Paula (NEPPA), Leo Pessoa (UFRB) e outr@s tantas pessoas que foram fortalecedores e qualificadores de nossa ação coletiva. Agradecemos profundamente por cada clique, cada ideia, cada cabeça, mão e corpo que se entregou nesta Jornada. Gratidão!


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sábado, 21 de dezembro de 2013

O fim da II Jornada é só parte do começo


Os quatro dias da II Jornada de Agroecologia da Bahia se constituíram como um importante passo na constante luta por território e pela saúde da terra e dos povos da Cabruca e da Mata Atlântica. A diversidade de grupos, movimentos sociais, idades, tradições e raças fez do evento um espaço vivo de troca de saberes e articulações que ultrapassam o Assentamento Terra Vista (MST), em Arataca, local que recebeu a Jornada entre os dias 12 e 15 de dezembro.

Foi visível a forte presença da juventude e das mulheres, que mobilizaram discussões e atividades em todos os espaços, pautando temas que servirão para novos debates em suas comunidades. As oficinas, salas de diálogo e plenárias foram a base para a discussão política. Mas até mesmo as apresentações culturais e as conversas durante as refeições culminaram em aprendizados e novos elos para a Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Atlântica, rede responsável pela organização do evento.


Como documento final, foi escrita, de forma coletiva, a Carta da II Jornada de Agroecologia da Bahia, que sintetiza as reivindicações daqueles que acreditam na agroecologia como instrumento de soberania e autonomia do povo. Além da carta, foram sistematizadas relatórias que vão encaminhar demandas para atividades da Teia durante 2014 e para a III Jornada. 

“A Teia me trouxe o entender mais no caminho, já senti vontade de desistir. Mas agora, a Jornada me deu a clareza e a amplitude de como continuar e aprender com as diferenças e os saberes de cada um “, lembrou emocionada Mayne Santos, da Teia. Antes da leitura da Carta durante a última plenária da Jornada, Say Adinkra (Teia/Rede Mocambos), lembrou a importância da organização do movimento: “A gente tem que aprender mais do que atacar. A Teia é algo ousado e precisamos de disciplina. O que está em jogo agora é a forma como vamos organizar as coisas”. 


Durante a Jornada, atividades não programadas surgiram e deram mais sentido ao encontro. O plantio de baobá e a troca de sementes foram alguns desses momentos, onde pessoas de várias cidades e estados puderam levar para suas comunidades sementes crioulas que vão germinar não só plantas, mas também os ideais agroecológicos. No fim da Jornada, Cacique Nailton (Pataxó Hã-hã-hãe) reafirmou a continuidade da Jornada, em especial pela juventude: “Isso aqui é uma escola de lideranças. Tem horas que a luta é pesada, mas não podemos esmorecer”.

Uma das moradoras do assentamento Terra Vista, Solange Santos, sintetizou o que foi a II Jornada, “vocês estão vendo esse assentamento assim bonito, é preciso lembrar que nada aqui foi feito sozinho, por um ou por dois. Esse assentamento é fruto da luta do MST, uma luta coletiva. Porém nós percebemos que sozinhos não vamos conseguir chegar a onde queremos. Por isso convidamos a todo mundo. Nossa luta é longa, por isso esse evento se chama Jornada, ela tem continuidade, a Jornada é só uma parte do começo.”

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Rede Mocambos planta muda de baobá no Terra Vista

No domingo de encerramento da II Jornada de Agroecologia da Bahia, dia 15, o Assentamento Terra Vista recebeu de presente da Rede Mocambos o plantio de uma muda de baobá. A árvore, símbolo da ancestralidade e da resistência africana, foi plantada próxima a um pé de pau brasil, com a participação de várias pessoas presentes na Jornada e com a benção de cacique Nailton e Dona Maria, indígenas da etnia Pataxó Hã-hã-hãe.










Carta da II Jornada de Agroecologia da Bahia



Os povos do campo e da cidade, reunidos na II Jornada de Agroecologia da Bahia, no Assentamento Terra Vista, em Arataca, Território Litoral Sul, entre os dias 12 e 15 de dezembro de 2013, uniram povos e saberes para a defesa irrestrita da agroecologia enquanto um modo de vida e um instrumento para conquistar a soberania de nossos territórios. 

Lamentamos o não reconhecimento e apoio digno do Estado Brasileiro para com a agroecologia e com a luta de nossos povos, cuja vida perpassa permanente criminalização, risco e extermínio. O Estado Brasileiro, sustenta uma estrutura baseada na exclusão social, quando este financia e apoia o êxodo rural, fomentando pobreza e violência para servir aos interesses do capital, o que distorce seu papel de proteção e garantia de dignidade de seus povos. 

O sistema de produção do campo imposto pelo capitalismo, o agronegócio, nos violenta a cada dia e não para, ele acumula um histórico de extermínio cultural e territorial, se apropriando de nossos saberes, de nossa ciência e de nossa cultura para fins de dominação, seja transformando tudo em produtos para a indústria e o mercado, seja ridicularizando e espetacularizando a nossa diversidade. 

A II Jornada é resultante da consolidação da Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica, formada na I Jornada em 2012, para atuar de forma permanente enquanto uma rede que reconstrói a solidariedade entre os povos negros, indígenas, assentados, juventude e crianças e dá um sentido mais amplo à agroecologia, tão distorcida pelo excesso de academicismo, teoricismos e tão pouca prática. Nós, da Teia, rompemos o tecnicismo perigoso para defender uma agroecologia que une os povos e saberes para garantir saúde para nossos alimentos, solos e águas, saúde para as nossa relações sociais, para nossa identidade cultural, espiritualidade e ancestralidade. 

Estamos construindo uma forma de organização entre os povos que busca autonomia política e financeira, através das ações de fortalecimento das experiencias agroecológicas em cada território que compõe a Teia, na busca de autogestão e do autofinanciamento. Estamos trabalhando para atuar adequadamente levando em consideração as especificidades de nossas crianças, jovens, homens, mulheres e idosos. Mas não teremos como conquistar essa saúde e autonomia, que representa na verdade novas formas de vida, política e militância, sem garantir nossos territórios e a vida de nosso povo e nossas lideranças. 

A agroecologia então, é também uma forma de enfrentamento desse sistema e a Teia se propõe a ter ações solidárias diretas de defesa de nossos povos. Assim, nossa luta segue o caminho irrestrito de defesa da garantia da terra e por uma soberania dos povos que sabemos que só pode ser feita a partir de nosso suor. 

Nossa Jornada e nossa Teia renova nossas utopias e nosso poder de seguir: “Nada do povo, para o povo, acima do povo, sem o povo!” 

Arataca, Bahia, 15 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

Luta pela terra marca as discussões da plenária de sábado

A plenária da noite de sábado, 14, iniciou com a consagração e a dança do toré puxada pelos indígenas Pataxó Rã Rã Rãe. Em seguida, TC Silva, da Casa de Cultura Tainã, homenageou Joelson Ferreira (Terra Vista) e o cacique pataxó Nailtom com mudas de baobá, árvore africana que é símbolo da Rede Mocambos e instrumento do projeto Rota dos Baobás, que leva mudas e trabalha a comunicação livre em comunidades quilombolas. Com toda a plenária, TC puxou em coro o canto africano: “Tô voltando pra casa com um pé de baobá, tô voltando pra casa com um baobá”.


“O baobá é um dos símbolos internacionais da resistência e da união dos povos. Vamos plantar baobá pra marcar nosso território”, comentou Jorge Rasta, da Casa dos Bonecos. Em agradecimento, o cacique pataxó Nailtom chamou atenção para o cuidados com as florestas, em especial a Amazônia, e com a educação ecológica das crianças. Citou também as ameaças que as lideranças de resistência, como indígenas, assentados e quilombolas, têm sofrido. “Eles querem ver a gente cair, mas já foi descoberto que com união ninguém derruba a gente não. Vocês jovens são nossos guerreiros de amanhã”.

A indígena Pataxó Rã Rã Rãe Dona Maria comentou a importância da organização entre os movimentos de luta e da firmeza que a militância precisa manter diante das ameaças: “O abraço apertado é uma fortaleza. Nós pequenos é quem temos que nos organizar e se preparar para um caminhar firme. Essa luta é de todos nós. Esse assentamento aqui, por exemplo, é de todos vocês. Sabemos que os guerreiros sempre são mal vistos, mas a luta é assim”. Depois, puxou um canto indígena de força para espantar as más energias e chamar a paz para a II Jornada de Agroecologia da Bahia.


Iniciando as falas da mesa da Plenária, a estudante Fernanda, do Núcleo de Estudos e Práticas em Políticas Agrárias, focou em sua fala as práticas agroecológicas realizadas pelos camponeses e lembrou a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, puxada pela Via Campesina. Citou também a opressão sofrida pelas mulheres no agronegócio, que, segundo ela, condiciona a divisão de gênero do trabalho: “Espero que nosso exército cresça e leve a agroecologia para as universidades, para as escolas públicas e privadas”.

Dayane, do Grupo de Ação Interdisciplinar em Agroecologia (Gaia), comentou sobre a formação do grupo, que surgiu como inicativa de estudantes da Universidade Federal do Recôncavo Baiano. “Nossa universidade, como todas, carrega as suas contradições. Percebendo que ela não estava servindo ao povo, a gente se uniu pra tentar levar pra universidade um debate além do que eles passam pra gente. Nós nos negamos a ser profissionais que reafirmam a política de opressão contra o povo do campo”.


O mediador da mesa, Diego Cogu, do NEPPA, comentou: “A agroecologia é uma questão de vida ou morte, ou a gente entra pra ela e constrói um novo modelo de desenvolvimento ou não haverá humanidade daqui a alguns anos”. Calango, do Movimento de Luta pela Terra (MLT), falou um pouco sobre a história do movimento, que surgiu na região cacaueira de Itabuna, e também defendeu a agroecologia como ferramenta para auxiliar as futuras gerações: “Nosso movimento busca se refazer sabendo que sem agroecologia e sem o desenvolvimento sustentável não haverá avanço na reforma agrária de forma qualitativa, que é como a gente quer”.

A última fala da Plenária de sábado começou simples e direta: “Quero dizer pra vocês que eu sou preto, mas sou livre”, exaltou Elder, do Ecobahia. Que seguiu com uma forte crítica ao Estado e às universidades que ignoram ações coletivas e sociais, principalmente na área de Agroecologia. “Não cabe mais no mundo de hoje as conquistas individuais. As conquistas individuais não mudam o mundo. Vocês que estão na academia tem que pensar nisso”.

Elder, assim como várias falas da mesa, também lembrou a resistência do Cacique Babau, que luta há anos pela retomada de terras dos indígenas tupinambá, mesmo sofrendo opressão do Estado e dos fazendeiros latinfundiários. “Nós todos temos falhas e problemas, mas nosso maior problema é ajoelhar e cruzar os braços", finalizou Elder. 

Manual de Certificação Orgânica

A Associação Certificadora de Áreas, Defesa do Meio Ambiente e Produtores Orgânicos da Bahia (ACPOBA) realizou durante a II Jornada a Oficina de Certificação Participativa para produtos da Agricultura Familiar, mediada pelo presidente da associação, Edilson Silva.

Como forma de contribuir ainda mais para as articulações, a ACPOBA disponibilizou  o Manual de Certificação, com "normas e procedimentos para o padrão de qualidade orgânico. Compartilhem!


Clique aqui e acesse o Manual. 
 

Para saber mais sobre a ACPOBA, acesse: acpobaorganico.blogspot.com.br.