domingo, 15 de março de 2015

Teia Agroecológica - Novidades e Datas para 2015

O começo de 2015 foi um momento de fortalecimento e articulação entre os diversos elos da Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica, dando prosseguimento ao que foi discutido no III Jornada de Agroecologia da Bahia. Nos reunimos para planejar, harmonizar e integrar as pautas de luta e formação política. Segue, abaixo, algumas deliberações já confirmadas para o primeiro semestre de 2015. Acompanhe e junte-se a nós!



Jornada
A IV Jornada de Agroecologia da Bahia já tem data marcada: a última semana de outubro de 2015. Como as três primeiras edições, a Jornada será realizada no Assentamento Terra Vista, em Arataca (BA).


Feiras Agroecológicas
Para potencilizar a Feira Agroecológica da Jornada, realizaremos duas edições extras durante este ano, uma em Salvador (data ainda a definir) outra em Feira de Santana, durante o 2° Simpósio CBSAF. Interessados sm se integrar, entrem em contato com a Teia.


Mutirões e Trechos
  • 1° Mutirão Solidário
    Local: Aldeia Pataxó Hã Hã Hãe. (Um na região Baixa Alegre, na área do cacique Nailton; e outra na  região milagrosa, na área de Maria Muniz)
    Data: 14 e 15 de março
  • 2° Mutirão Solidário
    Local: Extremo-Sul
    Data: 22 a 28 de março
  • 3º Mutirão Solidário
    Local: Recôncavo
    Data prevista: a partir de abril
  • 4º Mutirão Solidário
    Local: Aldeia Bahetá (em Itaju do Colônia)
    Data prevista: maio
  • 5° Mutirão Solidário
    Local: Assentamento Canaã (em Canavieiras)
    Data prevista: maio


Fundo Solidário para Consolidação da TEIA
A Teia estabeleu um Fundo Solidário para propiciar mais autonomia à luta. O fundo terá a participação dos Elos que compõem a Teia e de outros grupos e pessoas perceiras interessadas em contribuir.


Para participar de qualquer uma das atividades, entre em contato conosco:
E-mail: jornadadeagroecologiadabahia@gmail.com
Telefones: (73) 9819.0706 | (71) 9374.2037


segunda-feira, 9 de março de 2015

Carta contra a PEC 215, demarcação das terras indígenas e quilombolas e a favor da biodiversidade

"A Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica quer reafirmar que este ano é um ano de luta em defesas das terras sagradas, dos povos indígenas, do povo quilombola e em defesa da biodiversidade e da Mata Atlântica. Em defesa da educação de qualidade e do resgate das sementes crioulas e dos conhecimentos dos ancestrais. 

Reunidos de 4 a 7 de março no Assentamento Terra Vista, em Arataca (BA), para a formação dos elos e das frentes de luta, decidimos que mês de março é mês de mutirões e preparação da nossa base para que, no mês de abril, todos e todas dos elos da TEIA estejam prontos para as lutas em defesa dos nossos territórios. 


Marcharemos a Brasília. Marcharemos a Salvador. E em cada localidade onde existir um elo da TEIA, faremos movimentação contra a PEC 215 e pela demarcação das terras indígenas e quilombolas do Brasil. Sendo assim, até o dia 16 de abril é tempo de luta e de enfrentamento para defender os nossos direitos e nossa terra sagrada. 

Cientes do nosso compromisso: diga ao povo que avance, avançaremos! 

Queremos reafirmar que temos que sair dessa pauta de dois em dois anos de eleições, ou seja, eleições de 2016 e eleições de 2018, para uma luta contínua em defesa dos nossos direitos e uma ruptura com o sistema capitalista. E temos que entender que no sistema capitalista não há espaço para os pobres, para os índios, os negros, os sem terra, os quilombolas, os pescadores artesanais, os ribeirinhos e toda a classe trabalhadora. 


Temos que romper com este sistema inclusive porque não há possibilidade de reforma e nem tão pouco de conserto. Ou acabamos com o bicho capitalista ou esse bicho acaba com a comunidade. Para isso, será necessário construir uma base para o novo sistema de cooperação, onde os povos da terra e das cidades possam reconstruir uma nova forma de bem viver com todos os seres da natureza. Queremos concluir que só a luta e o povo salva o próprio povo e poderá reconstruir uma nova perspectiva de humanidade. Porque no capitalismo não será possível. O modo capitalista já chegou ao seu fim. 

Só a humanidade intrinsecamente relacionada com a mãe terra e com todos os seres da natureza possibilitará nos reconstruir. Pobres do mundo inteiro: Uni-vos!" 

 Joelson Ferreira - Assentamento Terra Vista



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Continue acompanhando o blog da Jornada e a nossa página nas redes sociais. Em breve, divulgaremos a agenda de luta e as ações da Teia para o primeiro semestre de 2015. 


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ô, é por cima da linha, ói onde o trem corre!


Cacique Babau nos ensina: “Quem brinca junto, guerreia junto!”. Aqui, a brincadeira de crianças e de adult@s é levada a sério. Por isso, além das mesas e das oficinas, a programação dessa III Jornada também foi recheada de atividades culturais! 

Ao entardecer, muita gente se reunia no gramado que fica em frente ao refeitório, no Centro Integrado Florestan Fernandes. Ali, uma roda de capoeira se formava e, aos poucos, crescia para dentro da noite. A mandinga e a ancestralidade negra ecoavam ao som dos berimbaus, proporcionando um momento de troca que palestra nenhuma alcança.


Com a noite firmada, outras atividades reuniam as pessoas. Na quinta e na sexta, os tambores entoaram sambas de roda em volta da fogueira. O povo da agroecologia tem talentos muitos e aqui na Jornada há tempo e espaço para que todas essas habilidades  se expressem!


Na sexta e no sábado, a arte subiu no palco. Diversos grupos da região foram convidados para participar desse momento com a gente na Jornada. Tivemos a presença das bandas Estação 39, Rafael e os Joãos, Alfredo Neto e Banda e do DJ Jef. Eles nos trouxeram muita música brasileira, incluindo samba, MPB, rock e até forró!


O Grupo Encantarte cantou, dançou e encantou, entoando clássicos da música negra baiana. Com toda essa inspiração, o Movimento Negro de Pau-Brasil pediu um momento na programação cultural de sábado para também fazer a sua apresentação. Os dois grupos fecharam a participação convidando o público para também dançar.



A presença da Casa do Boneco de Itacaré também iluminou nossa noite cultural. Tocando diversos tipos de tambores, nos ensinaram muito sobre a cultura afro-brasileira, trazendo a história e a dança dos Orixás. Os ensinamentos que recebemos ali não vieram apenas por meio da palavra, mas também das cores, dos movimentos e dos sons. Aprendemos de corpo inteiro.


A agroecologia não envolve apenas construir e firmar uma outra relação com a terra. Somos nós também territórios, com nossas culturas e identidades. Nossa agroecologia é também um jeito outro de produzir vida, de nos relacionar entre nós. Não existe essa agroecologia sem a nossa alegria, sem nossa cor, sem o altivo e o sagrado de nossos símbolos e sons.


Junto com a terra, os opressores tentam nos arrancar também nossas culturas, pois sabem que um povo sem raiz é mais passível de ser colonizado. Por isso recheamos as noites da Jornada com batuques e cantorias: aqui, construímos nossos trilhos para nós mesm@s andarmos. Pois é por cima da linha, onde o trem corre!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Vídeo de cobertura da III Jornada

O vídeo de cobertura da III Jornada ficou pronto! Para celebrar o ano que se foi e os novos passos de 2015. Uma produção coletiva da Brigada Audiovisual dos Povos, com edição do camará Angel Luis. 

E a nossa luta continua fortalecida e em expansão! Abundância para tod@s nesse ano que se inicia!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Carta de Mestre Joelson para a Teia de Agroecologia

Longos caminhos nos levam à grande Jornada de Agroecologia da Bahia. Mas não há longa jornada e nem tão longo caminhar se não tivermos coragem de dar o primeiro passo. Demos o primeiro, o segundo e o terceiro passos e já estamos aprendendo a caminhar. Nesse caminho, precisamos organizar com nossos esforços a perspectiva da revolução brasileira.


Nesse longo período da estagnação da esquerda é que viemos reafirmar que não haverá outro caminho para a humanidade, principalmente para o povo brasileiro, que não seja a construção da revolução para uma nova perspectiva e uma consciência de uma nova humanidade, junto com a Mãe Terra, com todo ser da mãe natureza, para reencontrar o caminho da felicidade, do amor e da bondade.

Reencontrar o caminho da revolução significa voltar para as simples coisas, os velhos sítios, o cuidado com as crianças e todos pequenos seres da natureza. Veja, a nossa revolução é cuidar das coisas simples, não é usar as mesmas armas do inimigo para tomar o poder pelo poder. A nossa revolução é respeitar os direitos dos indígenas, dos quilombolas, dos ribeirinhos, das marisqueiras, do povo preto que está nas favelas, construir escolas, terreiros lúdicos, cuidar da juventude, mudar os hábitos alimentares, mudar os hábitos de consumo, acabar com individualismo, ou seja, acabar com todas as bases do capitalismo e construir outros valores de humanidade.

Buscar na individualidade das pessoas um espaço de construção da coletividade, tornar o homem e a mulher um ser comum, uma verdadeira comunidade de mulheres e homens livres. Buscar grandes desafios para envolver esse ser comum a pensar grande, para além da sua existência, pensar nas gerações que vem depois, nos filhos, netos, tataranetos.



Esses desafios poderiam ser superados a partir dos biomas. Por exemplo, o Bioma Mata Atlântica, o mais habitado do mundo, está apenas com 7% de sua mata preservada. Podemos elevar para 20% de preservação em dez anos; construir pesquisas para devolver ao bioma toda a diversidade perdida, construir uma relação de estudo e conhecimento da natureza desse grande bioma para curas de doenças, para a alimentação dos animais e dos humanos que vivem neste bioma; construir uma convivência harmoniosa e sábia com os indígenas, os verdadeiros donos dessa terra, com seus conhecimentos milenares e de todas as suas sabedorias e simplicidade; trabalhar uma relação de amor e partilha com a nossa mãe terra dentro do Bioma Mata Atlântica.


Tudo isso pode ser feito nos outros biomas - Caatinga, Cerrado e no Bioma Amazônico, ou seja, buscar uma cosmovisão africana e indígena, cultuar, cuidar de todos os seres da natureza. A nação brasileira é uma das poucas que podem voltar a se reconstruir, mesmo com toda depredação e apropriação indevida do capital, ainda existem muitas riquezas naturais – florestas, água, minérios, solos bons. A população é de uma grande mistura de índios, lusitanos (europeus), africanos de toda parte da mãe África e uma grande quantidade de povos da Ásia; é o único país que tem gente do mundo inteiro vivendo pacificamente. Se juntarmos toda essa força ao trabalho árduo e cuidadoso com a intenção de reconstruir uma nova perspectiva de humanidade com os valores do cuidado da mãe terra, da mãe natureza e de todos os seres que vivem na terra, estaremos fazendo uma grande revolução, surgindo do Brasil um grande exemplo de civilização comum para toda a humanidade.

Essa é a grande lição que devemos tirar da nossa simples III JORNADA DE AGROECOLOGIA DOS POVOS DA CABRUCA E DA MATA ATLÂNTICA, realizada de 4 a 7 de dezembro de 2014.

Se é para o bem da humanidade, diga ao povo que avance! Avançaremos!

Que o amor e o desejo de reconstruir uma nova perspectiva de humanidade renasça em cada coração, em cada ato neste natal, que é um momento de renascimento. E que a ação dos nossos movimentos, dos nossos Elos e de todos aqueles e aquelas que sonham com a pátria socialista e comum para todas e todos, todos os seres da natureza.

Viva a mãe Gaia!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Esse povo pega cabo de foice e de enxada!


A agroecologia que construímos, praticamos e debatemos durante a III Jornada se propõe a transformar o modo de produção da vida, em todas as suas dimensões. Isso inclui plantar sem agrotóxicos mas também se comprometer com a construção de relações sociais justas e que valorizem as culturas ancestrais.


"A transformação do mundo começa pela transformação de nós mesm@s", nos ensina diariamente o Mestre Joelson. Para isso, precisamos criar espaços de encontro para aprender, criar e experienciar esses novos modos de produção. Durante a III Jornada, as mais de 60 oficinas realizadas cumpriram exatamente esse papel. 


Propostas por diversos movimentos sociais, coletivos e instituições parceiras e fundamentadas nos princípios da Educação Popular, elas ocorreram ao longo de 2 dos 4 dias do evento, envolvendo a tod@s @s participantes da Jornada em um grande mutirão de troca e produção de conhecimento. Os saberes produzidos e reeditados durante essa Jornada são passos na caminhada de transformação da realidade das comunidades no campo e na cidade e estão comprometidos com a ciência e tecnologia agroecológica do e para o povo. 

As atividades realizadas trataram de diversos temas, dentre eles, manejo agroecológico de solos, abelhas e aves, compostagem, coleta de sementes da mata nativa, produção de pães, chocolate e tintas de terra, comunicação livre, painel com sementes, bonecos de cabaça, feminismo, questão agrária, identidade negra, etc. 

Com a mão na terra, na massa, no pincel, com a mão na consciência, esse povo que não tem preguiça de pegar cabo de foice e também cabo de enxada está semeando Agroecologia, para alimentar um Brasil faminto de justiça!



domingo, 7 de dezembro de 2014

Com quantas mãos se faz uma Jornada?

Essa Teia que aqui se fortalece não é costura de um bichinho só. Somos muitos e muitas trabalhando para fiar horizontes de justiça. Da mesma forma, construir um evento com mais de 1000 pessoas como é esta III Jornada não é resultado de nenhum samba de uma nota só.

Para se ter uma ideia, durante a Jornada foram formadas 10 Comissões de Trabalho!!! Cada um desses grupos é composto por companheiras e companheiros de diferentes elos da Teia, além de pessoas que chegaram para participar da Jornada e aderiram ao trabalho de produção.

Mas não se engane! Não é porque uma pessoa faz parte de um determinado grupo que seu trabalho não alimenta e depende do trabalho de todas as outras comissões! A equipe de recepção, por exemplo, precisa se articular com a infraestrutura, para garantir que todos e todas tenham onde se acomodar durante o evento. Já a equipe de oficinas está em constante diálogo com a de sistematização, pensando a dinâmica complexa da programação.

Aqui, nosso trabalho não é alienado. Nós plantamos junt@s a Jornada, para que possamos garantir a colheita dos frutos, que serão nossos. Se lutamos a favor da reconquista de nossa dignidade, é só por meio dela que podemos construir nosso caminhar. Assim, durante essa Jornada, buscamos por em prática o mundo que queremos construir.

Há companheiras e companheiros que não estão sob a luz dos holofotes. Nem por isso são menos fundamentais para que a Jornada aconteça. A Silvia, por exemplo, é assentada no Terra Vista e responsável pela coordenação da equipe que faz as deliciosas refeições que saboreamos durante esses dias aqui. Na cozinha do Centro de Formação Florestan Fernandes, trabalham intensamente cerca de 10 pessoas entre 5h e 19h. Além de preparar o nosso alimento, essas pessoas também tiveram o cuidado de garantir que gestantes, anciões e crianças pequenas tivessem uma cozinha específica, com o intuito de oferecer-lhes a refeição de maneira ágil e confortável.


Outra equipe que pouca aparece e muito faz é a de segurança. Durante esses quatro dias, Xixa e sua equipe foram responsáveis por cuidar da abertura e fechamento dos portões do território Terra Vista, garantindo assim a integridade do espaço e das pessoas que aqui estão. Também foi esse pessoal que, durante as madrugadas, esteve luminosa como a Lua, cuidando que as atividades culturais se desenvolvessem de maneira tranquila, não atrapalhando o merecido descanso d@s presentes.

Além dessas, há uma infinidade de pessoas que, mesmo não falando nas plenárias, tiveram uma participação imprescindível para que essa Jornada seja o que foi e o que é.

A elas, nosso mais profundo agradecimento!