terça-feira, 2 de maio de 2017

Indígenas Gamela tiveram membros do corpo decepados durante ataque no MA; sobe o número de baleados e feridos


Por Equipe de Comunicação - Cimi 

Depois de uma madrugada de tensão pelo receio de novos atos de violência nas aldeias Gamela, além da angústia sobre o estado de saúde dos feridos no ataque deste domingo, 30, contra a retomada dos indígenas no Povoado das Bahias, município de Viana (MA), informações consolidadas dão conta do massacre envolvendo até mesmo o esquartejamento de dois indígenas: cinco baleados, sendo que dois tiveram também as mãos decepadas, e chega a 13 o número de feridos a golpes de facão e pauladas. Não há, até o momento, a confirmação de mortes. 

Os dados seguem sendo parciais, os números de baleados e feridos podem aumentar,  e isso se deve ao fato de que os Gamela se espalharam após a investida dos fazendeiros e seus capangas, entre 16h30 e 17 horas. Os criminosos estavam reunidos para atacar os indígenas ao menos desde o início da tarde, nas proximidades do Povoado da Bahias, numa área chamada de Santero, conforme convocação realizada pelas redes sociais e em programas de rádio locais - inclusive com falas de apoio do deputado federal Aluisio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA). 

Cinco indígenas foram transferidos durante a noite de ontem e madrugada de hoje para o Hospital Socorrão 2, Cidade Operária, na capital São Luís. Todos baleados em várias partes do corpo e dois chegaram à unidade com membros decepados: um teve as mãos retiradas a golpes de facão, na altura do punho; outro, além das mãos, teve os joelhos cortados nas articulações. 

Leia Mais : https://goo.gl/Q0VJLQ 

Carta final da V Jornada de Agroecologia da Bahia



Está decretado o fim da invasão!
Foi num espaço à beira das praias de Porto Seguro – onde, exatos 517 anos atrás, aportaram na Bahia os invasores portugueses –, que nós, ativistas das Teias dos Povos, realizamos nossa V Jornada de Agroecologia, com o intuito de, em primeiro lugar, denunciar que essa chegada dos europeus, foi, acima de tudo, o início oficial da ocupação de nosso território pela colonização europeia e a hegemonia do Capital, a qual persiste até os dias atuais.
Somos mulheres e homens, crianças e anciões de inúmeros movimentos sociais e povos em luta: assentadas e assentados, acampadas e acampados, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas, pescadoras e pescadores, quebradeiras de coco, povos de terreiro, povos de fundo e fecho de pasto, educadores, estudantes, pesquisadores, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade. Na Teia dos Povos, construímos uma aliança em busca do Bem Viver e da defesa dos territórios.
Aqui viemos para afirmar em alto e bom som: esta não é a Costa do Descobrimento, é a Costa da Invasão! Estas terras tinham e têm dono. Este foi o mote de nosso encontro este ano: Terra e Território – Natureza, Educação e Bem Viver. Ele nos lembra que precisamos construir um mundo em que a luta dos povos pulse nos caminhos da ancestralidade.
Nossa alegria pela reunião se redobra com a presença de uma comitiva da Teia dos Povos do Maranhão, vinda do outro extremo do Nordeste, das fronteiras da Amazônia. Recebemos com alegria esses irmãos e irmãs que lutam pelos mesmos ideais e preparamo-nos para também visitá-los em retribuição, consolidando a aliança dos povos, tal como havíamos anunciado como nosso compromisso primordial.
Com esse ato de ocupar as praias de Porto Seguro, entre os dias 19 e 23/4/17, queremos lembrar ainda, que, hoje, vivemos tempos sombrios, em que nosso país e toda a América Latina voltam a correr grave perigo diante da nova investida imperial estadunidense e de outros representantes da linha de frente dos interesses do Capital.
Neste momento temeroso em que o Brasil tem sua Constituição rasgada por esse mau governo que ataca os direitos historicamente conquistados pelas lutas da classe trabalhadora, recebemos tristes notícias que sinalizam o avanço do império do autoritarismo e do racismo: primeiro, a chacina que vitimou esta semana ao menos dez camponeses na gleba Taquariçu do Norte, em Colniza (MT); depois, a condenação pela Justiça do jovem negro Rafael Braga, preso durante as manifestações de junho de 2013 por portar uma garrafa de pinho sol.
A investida do capital, vale lembrar ainda, não se dá somente por meio do poderio militar, mas também a partir da impressionante capacidade dos grandes conglomerados empresariais internacionais, em particular aqueles ligados à comunicação digital, de manter uma grande parte da população em estado de alienação, completamente absorvida por uma pauta diária que a imobiliza, desmobiliza e fragmenta.
Diante desse quadro, convocamos a todas as pessoas dispostas a não ceder a esse entorpecimento e comprometidas com a luta pela autonomia das comunidades e a dignidade humana a retomar a luta contra o Capital e o Império. Desde o Sul da Bahia conclamamos os povos a se juntarem à bandeira da agroecologia e, por meio dela, construir alternativas locais à monocultura que o capital nos impõe. O mundo capitalista é uma fazenda cercada!
A Teia representa a esperança de unidade dos povos, em sua diversidade e pluralidade. Não haverá democracia real no Brasil sem a justiça na distribuição de terras e na demarcação dos territórios, sem o respeito à autonomia das comunidades e sem a construção de uma nova matriz econômica, alicerçada na soberania alimentar e na agroecologia. Se a colonização se consolida em nossas cabeças, a descolonização real começa pelos pés, pisando nos territórios, demarcando-os com nossos passos e cultivando-os com a prática de nosso bem viver.
Revigorados e animados pelo encontro e a partilha, deixamos as praias da Costa da Invasão novamente rumo a nossos territórios reafirmando o compromisso com os desafios que a Teia se coloca para 2017: consolidar e robustecer a aliança dos povos; conquistar e garantir nossos territórios; recuperar os biomas devastados pelo latifúndio agroexportador; produzir autonomia e soberania alimentar; construir uma economia para além do capital; descolonizar definitivamente o ensino em nossas comunidades, fortalecendo as Quatro Grandes Escolas que neles estão sendo cultivadas – A Escola das Águas e dos Mares, a Escola dos Quilombolas, Tambores e Terreiros, a Escola do Arco e da Flecha e a Escola da Floresta, do Cacau e do Chocolate.
Muitas pisadas na direção do cumprimento desses compromissos já foram dadas este ano. Um exemplo são as diversas visitas solidárias entre as comunidades participantes da Teia, como a agora realizada por uma delegação da Jornada ao território Cahy-Pequi/Comexatibá, do Povo Pataxó, chamado pelos invasores de Parque do Descobrimento. Os mutirões se multiplicam. A rede de troca de sementes crioulas prospera. A juventude se fortalece. As mulheres avançam na tecitura de sua rede. Nossas iniciativas de comunicação se ampliam em vários fronts – a exemplo do acordo que assinamos com a TV Educativa da Bahia durante a V Jornada.
Ao som dos maracás, tambores, atabaques, cantando e bailando com nossas Guerreiras e Guerreiros, Caboclas e Caboclos, Mikisi, Orixás, Seres de Luzes e Encantados, convocamos mulheres, homens, jovens, crianças, anciões – toda a humanidade em luta pela construção do bem viver – a juntar-se a nossa caminhada. A história pertence à mulher e ao homem que não têm medo de lutar.
É preciso resistir para existir. Compreendemos que nossa Mãe Terra não nos pertence, nós é que pertencemos à Terra. E por isso é preciso dizer ao povo que avance para a tarefa da descolonização. Convocamos a todos a se juntar nesse grande mutirão, na construção permanente do Bem Viver.
Aquilo que nos une é maior do que o que nos separa.
Dizendo ao Povo que avance. Avançaremos!!!!
Pátria libre!
Porto Seguro, Terra dos Pataxó, 23 de abril de 2017

sábado, 1 de abril de 2017

5ª JORNADA DE AGROECOLOGIA DA BAHIA


 A Teia dos Povos, tem o prazer de convidá-las (os) para construir e vivenciar a 5ª Jornada de Agroecologia da Bahia. A Jornada é um importante espaço de divulgação, debates, e reflexões sobre a agroecologia no Estado, unindo povos e saberes para a defesa irrestrita da agroecologia enquanto um modo de vida e um instrumento para conquistar a soberania de nossos territórios, onde prática, saberes tradicionais e científicos dialogam entre si e, um espaço de articulação dos povos. Durante a V Jornada de Agroecologia da Bahia, serão realizadas plenária, rodas de conversa, espaço auto-organizado de mulheres, oficinas praticas, troca de sementes crioulas, mostra de filmes, atividades culturais, ciranda infantil, cortejo e demais espaços para o debate e compreensão horizontal sobre o tema “Terra e território: natureza, educação e Bem Viver”. A realizar-se-á nos dias 19 a 23 de abril de 2017.

Outra significativa atividade durante a Jornada será a realização dos Jogos Indígenas e a Feira de Economia dos Povos: Sementes crioulas, artesanatos, produtos orgânicos, etc.

A Jornada vem sendo construída e terá como programação diária a seguinte proposta: pela manhã as mesas centrais e análise de conjuntura pela tarde as oficinas práticas; e a noite as feiras de Economia dos Povos com culturais, troca de sementes, comercialização de produtos trazidos pelos diferentes povos e Atrações culturais. Deste modo, convidamos tod@s para compor a construção de mais uma grande jornada. Para tal participação, os interessados deverão vir juntos com seus movimentos, povos, segmentos e/ou brigadas. Disponibilizaremos espaço para Hospedagem: escolas e áreas de camping e contamos com a parceria dos grupos para compor seus espaços auto gestionados com cozinha para produção de seu próprio alimento, ônibus para conduzir o grupo ao evento e estrutura de barracas ou barracões para abrigo, trazer o kit sem terra (colchão, roupas de cama, barracas, prato, copo e talher). Solicitamos ainda, a colaboração para a indicação de duas pessoas para coordenar ou representar o grupo e colaborar junto à organização do evento. É nesse espírito colaborativo que acreditamos que este evento será um momento especial para fortalecimento das identidades e das lutas dos nossos povos e comunidades.

Todos juntos: POVOS INDÍGENAS, QUILOMBOLAS, SEM TERRAS, ESTUDANTES, JUVENTUDE, AGRICULTORAS E AGRICULTORES, PESCADORES E PESCADORAS, MARISQUEIRAS, PROFESSORES E PROFESSORAS, CIENTISTAS E TODA POPULAÇÃO ENGAJADA NA DEFESA DA AGROECOLOGIA rumo a V Jornada de Agroecologia da Bahia!!!

Contamos com a presença de tod@s!!

Teia dos Povos

Contatos:
 E-mail geral: vjornadadeagroecologia@gmail.com
 (73)98104-6434 – Deysi
 (73) 99199-6986 – Dani Jêje
 (73) 99199-5529 – Carine
 (73)99125-9026 – Nale

quarta-feira, 15 de março de 2017

Prorrogada Inscrições para participação da V Jornada de Agroecologia!!


A coordenação da  5ª Jornada de Agroecologia da Bahia, evento organizado desde 2012 pela Teia dos Povos – coalizão de movimentos sociais do sul da Bahia – que, nesta edição, terá parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e será realizado em Porto Seguro, de 19 a 23 de abril. O tema central desta edição é Terra, Território e Poder. Resolve por meio deste PRORROGAR os prazos de inscrições, confiram abaixo as novas datas.

--  Incrições encerradas - resumos expandidos para apresentar pesquisas ligadas à agroecologia em forma de pôsteres e “relatos de atividades”; Tanto os trabalhos científicos como os relatos de experiências serão publicados nos anais do evento em breve.

- Até 05 de abril, podem ser enviadas propostas de oficinas;

Até 17 de abril, estaremos recebendo inscrições de participação online e durante o evento as inscrições presenciais:



" Diga ao Povo que avance!
Avançaremos ! "

quarta-feira, 1 de março de 2017

Inscrições abertas para a V Jornada de Agroecologia da Bahia





Estão oficialmente abertas as inscrições para a 5ª Jornada de Agroecologia da Bahia, evento organizado desde 2012 pela Teia dos Povos – coalizão de movimentos sociais do sul da Bahia – que, nesta edição, terá parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e será realizado em Porto Seguro, de 19 a 23 de abril. O tema central desta edição é Terra e Território: Natureza, Educação e Bem Viver .

Além das inscrições individuais, Foram lançadas  três convocatórias: para trabalhos científicos, relatos de atividades e oficinas. Os trabalhos científicos serão apresentados como pôsteres e a convocatória está aberta a estudantes e professores de todo o Brasil. A categoria de “relatos de atividades” destina-se preferencialmente a pessoas diretamente conectadas a experiências de implantação de projetos de agroecologia, como estudantes de cursos técnicos e tecnológicos em Agroecologia, Licenciaturas em Educação do Campo ou Intercultural Indígena, mestrados profissionais, cursos do Pronera ou profissionais, militantes e ativistas que atuam junto a comunidades camponesas ou povos tradicionais. Tanto os trabalhos científicos como os relatos de experiências serão publicados nos anais do evento.

Pesquisas científicas e relatos de atividades poderão inscrever-se em um das quatro áreas temáticas do evento:

1- Terra, território e democracia;
2- Bem viver: águas, florestas e sementes;
3 – Educação Libertadora;
4- Economia para além do Capital.

A V Jornada de Agroecologia da Bahia também está aberta às propostas de oficinas, que poderão ser executadas por pessoas e coletivos de todo o país.

Para inscrever-se, confira os links abaixo


Para submissão de propostas de trabalhos, confira os links abaixo:

" Diga ao Povo que avance!
Avançaremos ! "

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017



ESTEJA LIGAD@!!

Amanhã, 01 de março, abre as inscrições para os núcleos de base e elos da Teia dos Povos, visitantes, oficineiros para participação na 5ª Jornada de Agroecologia da Bahia.
Faça sua inscrição, escolha o link do formulário aqui no blog:

http://jornadadeagroecologiadabahia.blogspot.com.br/

E pelo site: 

http://teiadospovos.redelivre.org.br/








Fique de olho e faça a sua inscrição para participar.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Vamos para a V Jornada de Agroecologia da Bahia.



A Teia dos Povos, tem a honra de convidar tod@s  para participar da V Jornada de Agroecologia da Bahia, a realizar-se nos dias 19 a 23 de abril de 2017,  em Porto Seguro com a temática “Terra e Território: natureza, educação e Bem Viver. 


Programação

Durante todos os dias da Jornada, serão realizadas Plenárias que darão voz a representantes dos diversos núcleos de base e Elos da Teia, visitante e convidados. As plenárias trazem análise de conjuntura e traçam estratégias para consolidar a União dos Povos . Haverá também outros espaços: Feiras de Economia dos Povos, Atividades Culturais, Trocas de Sementes Crioulas e orgânicas, Relato de experiências, Oficinas e Minicursos envolvendo práticas agroecológicas, saúde, alimentação, saberes tradicionais, etnoculturais e  comunicação livre.


Áreas Temáticas

1- Terra, território e democracia;
2- Bem viver: águas, florestas e sementes;
3 – Educação Libertadora;
4 – Economia para além do capital;

No mesmo espaço da Jornada, de forma simultânea, acontecerá também a Ciranda/Jornadinha, espaço lúdico e sociopedagógico voltado às crianças que, acompanhando suas famílias, participam do evento.

E, como a celebração também faz parte da luta, a Jornada se completa ainda com manifestações da cultura e ancestralidade tradicional que surgem organicamente, como rodas de capoeira, cantos e rituais indígenas.

Outro evento paralelo à Jornada será a Feira de Economia dos Povos, que acontecerá no centro da cidade de Porto Seguro todas as tardes e noites, de 19 a 23/4. Representantes de mais de 30 comunidades, Aldeias, quilombos, Assentamentos, estarão comercializando seus produtos.

Hospedagem

O espaço da 5ª Jornada de Agroecologia da Bahia, irá dispor aos participantes espaço de camping e espaços de alojamentos cobertos, onde serão priorizadas para as pessoas idosas e famílias com crianças. Haverá sanitários e locais para banho.

Objetos pessoais e equipamentos levados são de responsabilidade individual do(a) participante. É importante levar: kit militante (copo, prato e talheres), barraca, cobertores ou sacos de dormir, colchonete ou isolante, roupas de frio, roupas de banho e itens de higiene pessoal.

Alimentação e Contribuição para a Jornada

Cada Núcleo de Base e Elo da Teia deverá contribuir com alimentos e/ou recursos financeiros para as cozinhas coletivas da Jornada, levando em conta a quantidade real para três refeições diárias, por pessoa.
Confira no Formulário de inscrição para integrantes dos Núcleos de Base e Elos da Teia. 

Inscrição dos visitantes para a Jornada

Os visitantes, estudantes e pessoas que não se integram a um núcleo de base ou um Elo, deverão contribuir com uma taxa de inscrição R$ 30,00 para estudantes e 60,00 para visitantes, pelos 5 dias de evento. A taxa única de inscrição não inclui alimentação.

 Sobre a alimentação, haverá diversas opções de Alimentação alternativa - onde cada participante poderá adquirir a alimentação, em restaurantes próximos ao local da Jornada e na Praça de alimentação com alimentos produzido pelos elos, no espaço da 5ª Jornada ou na Feira de Economia dos Povos.
A taxa de inscrição dos visitantes podem ser pagas através de deposito.

O deposito é feito direcionado a: Associação Territorial de Agroecologia Povos da Cabruca e da Mata Atlântica.
Banco do Brasil
Agência: 0837-0
Conta corrente: 26109-2.

Para confirmar a sua inscrição, é preciso que envie o comprovante de deposito para esse e-mail:


Assim que confirmamos seu deposito,retornaremos um e-mail de confirmação.

Inscrição para Feirantes - Feira de Economia dos Povos

Comunidades, associações, artesões, feirantes e demais interessados em comercializar os seus produtos na Feira de Economia dos Povos pode fazer a sua inscrição pelo formulário que estará disponível pelo blog e site para garantir seu espaço na Feira de Economia dos Povos. Confira os quesitos para pode participar.
 

Preparando a Jornada



Em preparação e mobilização da V Jornada de Agroecologia da Bahia, que esse ano se terá em Porto Seguro, mestre Joelson e o cacique Nailton, junto a Vince e Pablo da Rede Mocambos visitaram as aldeias e assentamentos do extremo Sul.

Visite o Baobáxia para conhecer mais!


domingo, 22 de janeiro de 2017

Chamamento a Tecer a União dos Povos



Quando o calendário Maia sinalizava o fim dos tempos em 2012, o que muitos não perceberam foi que esse prenúncio anunciava o fim de um ciclo, o colapso da ordem vigente, começava ali a ruir o velho e a ascensão do novo. Nós da Teia dos Povos acolhemos a mensagem do povo guerreiro do sol e começamos a semear os frutos com a realização da I Jornada de Agroecologia, no Assentamento Terra Vista no sul da Bahia, onde caminhamos rumo à unificação da luta dos povos historicamente oprimidos pela invasão portuguesa, a elite escravocrata e a chibata dos coronéis.

Neste momento, a Conjuntura atual nos mostra a falência do estado democrático burguês, já que as grandes corporações, o latifúndio ideológico midiático e a economia baseada na especulação financeira sepultaram qualquer possibilidade de consenso entre o povo e o conservadorismo da elite nacional. O muro de Trump nos EUA e a perseguição aos imigrantes que tentam entrar na Europa, só evidenciam a contradição do discurso falido de liberdade produzido pelo sistema capitalista. Pois os povos que migram da periferia do mundo para os EUA e Europa, só o fazem porque foram saqueados historicamente e estão sendo massacrados pela ganância dos países centrais.

A Teia dos Povos seguindo as trilhas dos encantados abertas pelos nossos ancestrais convoca todos os trabalhadores, trabalhadoras, povos tradicionais e povos indígenas a tecer os fios do Bem Viver,1 alicerçado na defesa do território, na matriz Agroecológica e na construção da soberania alimentar. Elementos ancestrais cultivados com muita resistência pela memória biocultural dos nossos povos e, compõem uma ferramenta essencial na luta pela libertação da sociedade, que é oprimida cotidianamente pelo “globalitarismo2” imposto pela ordem do capital. É preciso entender que o ano de 2017 será de muita luta, muito trabalho e grandes conquistas; a ilusão da mudança através do voto não pode mais existir; rasgaram a constituição, e não haverá solução através das vias pacificas, da obediência ou da conciliação de classe.

Nessa perspectiva, em 2017 a Teia dos Povos tem seis grandes tarefas, a primeira: buscar e construir a grande aliança dos povos. A segunda: conquistar e garantir a terra e o território dos povos indígenas, dos quilombolas e todos os trabalhadores do campo. Terceira: contribuir para a recuperação dos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. A Quarta: produzir sua auto- existência nas suas terras, no território e desenvolver a soberania alimentar. Quinta: construir uma economia para além do capital, e por último, construir as quatro grandes escolas – Escola do Arco e da Flecha, Escola Quilombola, Terreiro e Tambor; Escola das águas e Mares, Escola da Floresta do Cacau e do Chocolate.

Para celebrar a união dos Povos, a Teia invoca todos os encantados, caboclos, minkisi, voduns, orixás e a todos os guerreiros e guerreiras do povo para ecoar um grito que vem do Sul da Bahia, lugar onde começou a colonização dos povos originários do Brasil, pois, nem mesmo após 517 anos de exploração foram suficientes para apagar o sonho de uma construção coletiva, capaz de conectar sociedade, natureza e ancestralidade em um único elo de resistência e luta. Por isso simbolicamente a V Jornada de Agroecologia da Bahia será realizada em Porto Seguro nos dias 19 a 23 de abril, recordando a data da chegada dos Portugueses, na própria Mata Atlântica, o bioma que sofreu a primeira devastação do sistema agro-exportador, do qual o Brasil é refém até hoje. Os povos da Teia se propõem a cuidar e a co-evoluir juntos com nossa Mam´etu Utukilu (mãe natureza), cabrucando, semeando e reflorestando um novo tempo que virá!

O Momento é de compartilhar Nosso Bem Viver (projeto de sociedade), que passa pela construção de uma educação alicerçada com as sabedorias ancestrais dos nossos povos e a construção de uma ciência para além do capital e a serviço do povo. É tempo de recomeçar, a história pertence à mulher e ao homem que nunca desiste e não tem medo de lutar!

Dizendo ao povo que avance !!! Avançaremos

1 Para conhecer melhor o conceito do Bem Viver, visite http://www.cimi.org.br/pub/Porantim/2015/Encarte_Porantim381_dez2016.pdf

2 “Globalitarismo” é o nome dado por Milton Santos ao modo de globalização predominante no mundo
Fotografias por Sinistro Baiano

“JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA, RAZÃO DE VIVER
ANDAR ONDE NINGÚEM ANDOU
CHEGAR AONDE NINGUÉM CHEGOU
LEMBRAR A CORAGEM E O AMOR DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO
KARARAÔ… KARARAÔ… O ÍNDIO LUTA PELA SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!”

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

VIII Encontro Afro-Ecumênico da Comunidade de Caxuté


  Foi realizado entre os dias 2 e 4 de Dezembro, o VIII Encontro Afro-Ecumênico - ENAFRO, na comunidade de Matriz Africa Caxuté em Valença no Baixo Sul da Bahia. O Encontro ocorre desde o ano de 2008 e tem o objetivo de promover o diálogo entre as religiões e cultos de diferentes matrizes, destacando a luta em defesa da liberdade religiosa, contra o racismo e as praticadas de intolerância.

  O encontro é realizado entre os dias 2 e 4 de Dezembro de cada ano, a data faz referência a celebração do dia de Santa Bárbara na igreja católica, ao tempo que os cultos de matriz africana homenageiam a Nkisi/Orixá dos ventos e das tempestades, chamada de Matamba pelo povo de tradição Bantu/Angola e Yansã pelas nações seguidoras da tradição Keto/Nagô.





 Um dos encaminhamentos do Encontro foi a convocação para todas as comunidades, religiões e cultos de matriz africana juntarem forças entre elas, além de outros segmentos da sociedade organizada para efetivação de políticas afirmativas. Segue a carta política aberta a toda sociedade com todos os detalhes do VIII ENAFRO.

  Para nós da Teia dos Povos, este convite chega num momento crucial, onde cada vez mais fica clara a necessidade de articular nossas lutas para combater o racismo, a violência religiosa e demais práticas colonizadoras e eurocêntricas que chegaram nas naús do descobrimento e até hoje se repetem, dia após dia, como se não houvesse jeito, como se fossem irremediaveis. No entanto, como nos lembra Don Durito (EZLN), A diferença entre o irremediável e o necessário é que para o primeiro não é preciso se preparar. E só a preparação torna possível o segundo; portanto é tempo de preparar os solos onde as alianças serão cultivadas e com sabedoria e alegria nos UNIR para a defesa de nossas culturas, cosmovisões e territórios.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Estudantes da UFRB em luta pela Educação do Campo


Um antigo próverbio nos ensina, DIZER A AÇÚCAR, AÇÚCAR, AÇÚCAR NÃO ADOÇA O CAFÉ, assim, cerca de 200 estudantes da Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) do curso de Ciências Agrárias iniciaram no último domingo, 08 de Novembro, a ocupação do Centro de Formação de Professores – CFP da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) em Amargosa.

Motivados pelo não cumprimento mínimo dos acordos feitos em Março de 2014 como residência, assitência e alimentação, os estudantes do LEdoC ocuparam o estacionamento do CFP/UFRB, onde pretendem ficar por tempo indeterminado.

Segue a carta política dos ocupantes.




A Teia dos Povos tem como princípio a solidariedade irrestrita a tod@s que estão em luta, em especial quando a luta visa criar estratégias de reconhecimento e fortalecimento das Políticas Publicas de Educação do Campo, conquistadas pelo Movimento de Educação do Campo. Assim, desejamos a tod@s discentes do LEdoC que continuem em luta!



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CARTA DA TEIA DOS POVOS

  

Com o tema: Terra, Território e Poder, nós militantes da Teia dos Povos, nos reunimos entre os dias 29/10 e 01/11/2015 no Assentamento Terra Vista, no Município de Arataca, Estado da Bahia, para realizarmos a IV Jornada de Agroecologia e  reafirmarmos o nosso compromisso com a defesa dos direitos, da vida e da transformação social, ao mesmo tempo que repudiamos a democracia burguesa e todas as formas de enganação política e moral que levam a crer que há soluções justas dentro do capitalismo.

Diante das diferentes crises proporcionadas pelo capitalismo que afrontam e põem em risco a vida de todas as espécies no planeta, viemos, com urgência, convidar todas as forças comprometidas com a ética, a justiça e a dignidade, para lutarmos juntos contra a exploração do trabalho humano, a devastação da natureza, o envenenamento e a intoxicação dos organismos vivos e, a favor de um projeto popular de poder, que envolva, em uma ampla teia democrática e pluriétnica, mulheres, homens, jovens e crianças na busca pela emancipação social e humana.

Constatamos que a situação de calamidade que se encontram os corpos d'água brasileiros em todas as regiões do Brasil, não têm como causa as crises climáticas, mas na ganância dos capitalistas que encontram, nos bens da natureza, o último recurso para acumularem riquezas. Para além disso, denunciamos que a causa maior da violência contra as águas têm suporte político, jurídico e militar do governo conivente e colaborador das forças dominantes e dirigentes do País.

Exigimos do governo Brasileiro a imediata realização da reforma agrária, a demarcação dos territórios indígenas e áreas de remanescentes de quilombos, o cumprimento das legislações no que se refere à educação dos povos do campo, das águas e das florestas, o oferecimento de educação com qualidade para toda a classe trabalhadora e a interrupção imediata do fechamento das escolas do campo e da cidade, bem como, que o Congresso Nacional suspenda todos os projetos de lei criminosos que afrontam o direito ao território próprio dos povos indígenas, negros e trabalhadores em geral.

Declaramos que, enquanto índios, negros, camponeses, lutadores e lutadoras sociais, não temos mais espaço neste modo de produção que prioriza a acumulação, por meio da produção de mercadorias, para satisfazer aos geradores de violência que concentram  a renda e as decisões políticas sobre o destino da humanidade, por isso, convidamos o povo à rebelião geral, pela defesa da vida, da soberania e da dignidade.

Saudamos com as nossas experiências e comemoramos os avanços alcançados na construção de projetos agroecológicos de iniciativa popular que visam a construção de uma sociedade Socialista. Nos colocamos à disposição da luta em prol de uma educação crítica e libertadora, da conscientização da classe trabalhadora, povos e comunidades tradicionais e da implantação de soluções que se oponham ao esforço devastador do capital.

Nos comprometemos a lutar contra a exploração da terra, das águas, das espécies da natureza e dos seres humanos, ao mesmo tempo que convocamos todos os seres de luz e encantados, para fortalecer nossa ancestralidade e caminharmos juntos na reconstrução do “Bem Viver”.

Nos somamos a quem luta e resiste contra o assalto aos direitos sociais que o governo vem implementando, que faz penar os trabalhadores, aumentar a violência e leva a sociedade ao retrocesso e à barbárie, ao mesmo tempo que, convidamos para lançar-nos ao trabalho de base, no plantio de novas sementes naturais e organizativas para resgatarmos a esperança, a indignação e a coragem  de traçarmos o nosso próprio destino em direção à nova sociedade.

Juntos construiremos uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Vida longa à Teia do Povos!


 Diga ao povo que avance! Avançaremos!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Mesa de Abertura da IV Jornada de Agroecologia

“Bahia terra de coco,
de azeite de dendê.
A água do coco é doce,
eu também quero beber.”

Cerca de 300 indígenas de diversas aldeias deram início à IV Jornada de Agroecologia da Bahia com o ritual do fogo, conduzido pela mestra Maria Muniz (Maiá) e Cacique Nailton, da Reserva Indígena Pataxó Hã Hã Hãe - Caramuru Catarina-Paraguaçu. Após o ritual, foi realizada a Mística de Abertura com uma encenação do poema de Ademar Bogo, O Recado da Terra, que indica a necessidade de cuidar de Gaia para que seus filhos, homens, mulheres, pássaros, plantas, árvores e demais seres tenham uma perspectiva de vida comum.



“O que fizer à terra, fará com seus filhos, assim diz o Cacique.”

            
Logo em seguida, Joelson Ferreira, da Teia dos Povos e do Assentamento Terra Vista - MST, deu a saudação de boas-vindas a todos os Elos e participantes. Em sua mensagem, cumprimenta aos Indígenas, “verdadeiros donos da terra”, ao Povo Preto e aos companheir@s dos movimentos sociais que estão em luta pela defesa da Terra. Joelson lembrou também a importância da atuação do MST na Região Sul da Bahia, que há 23 anos mobiliza trabalhadores e agricultores na pauta pela reforma agrária, tendo o Terra Vista como primeiro assentamento no coração da região cacaueira. Finaliza as boas vindas agradecendo a tod@s @s participantes e frisando a importância do momento histórico que envolve a IV Jornada.


A Mesa de Abertura segue com a coordenação de Alda, do CIMI, e Nanda, do NEPPA, que convidaram um representante de cada elo e das diversas entidades presentes para o momento de saudação à plenária e breve apresentação de sua atuação na Teia, na Jornada e nos Territórios. Após as apresentações do Elos, Joelson Ferreira finaliza a Mesa com um breve histórico da Jornada, ressaltando os temas escolhidos conforme os objetivos e conjunturas vividas em cada ano. Nesta IV Jornada, o momento histórico que vivemos exige um aprofundamento na compreensão do que é Terra, Território e Poder:

“A humanidade vive um momento crucial. A cada dia que passa, vemos a natureza sendo estuprada e destruída pelo Capitalismo, que ameça nossas formas de vida. Sua principal arma é a propriedade privada da terra. Estamos diante de uma guerra que não fomos nós que criamos. Não há tempo para abaixarmos as cabeças ou ficarmos de braços cruzados. Precisamos fazer nossas estratégias de defesa da Mãe Terra, nos levantarmos e enfrentarmos essa guerra de frente. Por isso, é fundamental um momento como este, da IV Jornada, onde tantos povos estão reunidos. Cabe a nós fazer desta reunião um momento que avance para além da celebração, tornando-se esperança para a defesa da nossa Mãe, a Terra. Nós precisamos ter a coragem e o entendimento de que é a partir da terra que vamos avançar. Sem terra não há liberdade.” - Joelson Ferreira

Edith, do GeografAR (UFBA), lembrou que na construção de unidade é preciso ter paciência e cooperação: “Se você quiser ir rápido, vá sozinho. Se você quiser ir longe, vamos juntos”. Edlene puxou a saudação do NEPPA com uma música construída durante o Estágio Interdisciplinar de Vivência e Intervenção – EIVI, de 2014: “O grito de barretá ecoa além da morte. Índias e negros lutando ombro a ombro, braço forte.  A luta não é só sua, a luta não é só minha, a luta é de todo o povo que resiste à tirania.”


“No momento onde tantos estão lutando por seu território, não haveria tema mais propício que esse. Me sinto honrada por estar nessa mesa e por poder falar desse assunto que está virando uma questão de vida ou morte. Falar de território é estar vulnerável à morte. Então a gente precisa aproveitar essa Teia para se fortalecer juntos. Nós precisamos ser uma voz, nós precisamos ser um corpo”, comenta Nádia Akauã, Tupinambá de Olivença, da Aldeia Tucum. Em sua fala, Nádia saudou seus ancestrais e relembrou as perdas de muitas parentes e parentas que morreram na luta em defesa de seu território. Nesse momento, Maria Muniz e Cacique Nailton acolheram a parenta e seu desabafo, com cânticos e orações.

Em sua fala, Cacique Nailton convocou a todos para o envolvimento na luta, em especial a juventude: “Guerreiro vem ver, guerreiro vem cá. Guerreiro vem ver sua luta como está. Oh guerreiro vem ver, oh guerreiro vem olhar.” Haroldo, do CIMI, trouxe uma análise do entendimento dos povos indígenas sobre a omissão e lentidão do Estado no processo de demarcação dos territórios: “O vermelho da bandeira da Bahia tem um significado muito ruim para os indígenas da Bahia. Esse vermelho significa morte. Precisamos travar esse sistema. Há um ditado mexicano que diz: “Eles nos enterraram, mas esqueceram que éramos sementes'.  Essa semente está na hora de germinar”.

No final da Mesa, a Jornada foi saudada pela companheira Yashodã, da Comunidade Morada da Paz, do Rio Grande do Sul. Em sua primeira participação na Jornada, Yashodã afirmou que veio até a Bahia, em uma viagem de três dias, para selar essa integração entre os povos e os movimentos de resistência que atuam nesses territórios.

“O mundo está dividido em dois, os que tem fome os que tem medo dos que tem fome. Existe inferno? Sim. Existe o inferno de todo o dia, construído por nós mesmos. Mas existem apenas duas formas de sair do inferno. Se acostumar com ele e ser indiferente ou lutar contra ele”, comenta Yashodá que finaliza sua fala com um canto Yorubá: “Que o pássaro da verdade sobrevoe a nossa cabeça e que tenhamos força nos braços e o coração puro para sermos sementes da verdade”.

Estiveram presentes na mesa de abertura da IV Jornada de Agroecologia da Bahia:
Cacique Edvaldo – Pataxó,
Ana Dália – UNEB,
Valdo Cavalé – Profº UFLPR
Leonardo – Tele Sur,
Ajane – Sec. Trabalho Emprego e Esporte de Salvador
Yashodã – Morada da Paz do Rio Grande do Sul,
Cacique Nailton – Pataxó Hã Hã Hãe,
Nádia Akauã Tupinambá de Olivença,
Luciano Ferreira – CETA,
Silvana – Profª UFRB – Educação do Campo,
Edite – UFBA - GEOGRAFAR,
Valderli – CPT,
Alamo Pimentel – Profº UFSB,
Haroldo Heleno – CIMI,
Eulália – IFBaiano,
Durval – Inst. Cabruca,
Edlene – NEPPA,
Nara – Ocupação Mercado Sul Vive e NACER– DF
Carlos Borges – INCRA,
Vera Lucia – SEPROMI,
Alberto – Presidente do CIMA,
Amanda – Cáritas,
Zuza – MLT,
Rubens – Resex Caçurubá – Caravelas,
Zé Campo – CESOL,
Pássaro – Serra Grande,
Janira – Escola Agrícola Margarida Alves,
Felipe Estrela – AATR,
Iris Salazar – MCP – Feira de Santana,
Lanns Almeida – Sec. Agricultura – Itabuna,
Michela – MDA,
Valnei – MST,
Alexandre – Profº IFBA,
Joelson – Assentamento Terra Vista - MST.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ouça e acompanhe a IV Jornada de Agroecologia da Bahia


Acompanhe ao vivo, pela internet, a transmissão da IV Jornada de Agroecologia da Bahia, através do link: 



Abre a roda Sinhá: inicia a IV Jornada de Agroecologia da Bahia


A IV Jornada de Agroecologia da Bahia já está viva e em movimento. Elos de várias regiões da Bahia e de outros estados chegam a cada momento no Assentamento Terra Vista, em Arataca (BA).

A Jornada inicia hoje, 29 de outubro, e segue até o dia 1º de novembro. Com o tema “Terra, Território e Poder”, a programação e todos os seus espaços de diálogos, trocas, místicas e aprendizados coletivos se formam a partir da construção coletiva e auto-organização.

Nesse primeiro dia, será realizada a Mística e Mesa de Abertura, com Apresentação da Teia de Agroecologia dos Povos e Saudação dos Elos da Teia. À noite, das 19h30 às 22h, é o momento de Encontro dos Núcleos de Base e da capoeira, poesia, samba de roda e demais atividades culturais.

 


A partir de sexta-feira até o domingo, a Jornada segue com Mesas Redondas, Mostar de Filmes, Rodas de Diálogo, Oficinas, Ciranda Infantil, Espaço de Gênero, Cortejo de Celebração e Encerramento com os encaminhamentos para a atuação da Teia ao longo do próximo ano.

Trocas de Sementes Crioulas
A Teia de Agroecologia dos Povos está construindo sua rede de sementes crioulas para consolidar o processo de soberania alimentar nos diversos territórios que constituem a Teia. Diante disso, durante toda a Jornada a Troca de Sementes Crioulas acontecerá de forma permanente, no espaço da Feira de Economia Solidária. Traga suas Sementes e multiplique essa ideia!!!


Programação - 29 de Outubro (quinta)

  • 14h30 – 16h: Recepção e Credenciamento
  • 16h – 17h30: Mesa de Abertura e Apresentação da Teia de Agroecologia dos Povos + Saudação dos Elos
  • 17h – 18h30: Jantar
  • 19h30 – 22h: Encontro dos Núcleos de Base
  • 22h – 00h: Cultural



Cine Jornada - Mostra de filems na IV Jornada

Este ano a IV Jornada segue com o tema, Terra Território e Poder, organizamos uma singela mostra de filmes para se ajuntar a programaão do evento. O Cine Jornada vamos ter filmes para todas as idades, e com o objetivo de ajudar a entender sobre o tema. Acreditamos que o cinema também é um espaço de poder, sendo possível,  através desta ferramenta dialogar sobre a construção de hegemonia em nossa sociedade, a partir de uma perspectiva do audiovisual. 

Em seu primeiro ano o Cine Jornada, está sendo realizado pela Teia dos Povos  e da produtora cultural Orum Tupi, e será composto por duas sessões diárias, ambas são para todas as idades, mas a sessão Ciranda é especialmente para as crianças. Na outra sessão, os filmes apresentaram histórias que tragam consigo relações ligadas a terra, resistências e saberes tradicionais.

Segue programação completa do Cine Jornada


29-10-2015
Cineclube Ciranda 18:30

Lápis de Cor - Larissa Santos / Documentário / 13:37 min. / Bahia. Sinopse: O documentário Lápis de cor (2014), da diretora Larissa Fulana de Tal, integrante do movimento de cinema negro Tela Preta, aborda a representação racial no universo infantil e a maneira como o padrão de beleza eurocêntrico afeta a auto-imagem e auto-estima de crianças negras, revelando a ação silenciosa do racismo na infância

Comida que Alimenta / Documentário/ 04:54 min. / Pernambuco. Sinopse: O vídeo Comida que Alimenta é uma realização do Centro Sabiá, vinculado ao projeto Trabalho, Renda e Sustentabilidade no Campo, patrocinado pela Petrobras. O projeto busca fortalecer as experiências de agricultura Agroflorestal de base Agroecológica na Zona da Mata Sul de Pernambuco, além de ter um forte componente de agregação de valor à produção da agricultura familiar desse território, com a instalação de Unidades de Beneficiamento de frutas e de mel, para atender principalmente as compras institucionais via Programa de Aquisição de Alimentos - PAA e Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, e o mercado turístico do território. Além de buscar fortalecer a estratégia de comercialização direta produtor/consumidor via Feiras Agroecológicas.

 
Cineclube Cine Sabiá 20:00



Dalva / de Francisca Marques e Fabricio Jabar/ Documentário / 30 min. / Bahia. Sinopse: O documentário foi realizado pela Associação Cultural do Samba de Roda Dalva Damiana de Freitas, através da seleção no Programa de Patrimônio Imaterial - PNPI do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. Produção: Nestta Audiovisual e Laboratório de Etnomusicologia, Antropologia e Audiovisual - LEAA Recôncavo. Apoio: Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia.







As Sementes / Beto Novaes e Cleisson Vidal / Documentário/ 30 min. Rio de Janeiro. Sinopse: Dirigido pelo cineasta e economista Beto Novaes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o documentário é um registro das trajetórias de vida de mulheres agricultoras que participam ativamente dos movimentos agroecológicos no Brasil e que se tornaram referências e/ou lideranças sociais e políticas em seus territórios. As Sementes é inspirado no livro Mulheres e Agroecologia: transformando o campo, as florestas e as pessoas, que surgiu a partir da tese de doutorado de sua autora, Emma Silliprandi.



30-10-2015
Cineclube Ciranda 18:30

Abuela Grilo / Animação/ 12 min./ Bolívia e Dinamarca. Sinopse: Animação é uma adaptação de um conto Ayoreo. A avó Grilo ao cantar, faz chover e semeia a terra.

Doña Ubenza / de Mariana Carrizo / Animação / 04 min. Sinopse: Doña Ubenza é a canção com que se fizeram a bandeira da mulher originária.



Cineclube Cine Orum Tupi 20:00

Mestres Livres / Resultado da Oficina UMBIGO/ Documentário/ 05 min./ Uruçuca – Bahia. Sinopse: Mestres Livres. Curta realizado na feira livre de Uruçuca. Resgata as histórias, lembranças e sambas do município de Uruçuca, contado por trabalhadores da feira livre. O filme é resultado da oficina de realização audiovisual oferecida pelo projeto UMBIGO. Com apoio do Instituto Arapyaú, Tabôa, prefeitura de Uruçuca e ACMUR. Realização ORUM TUPI.



Serra Negra/ Resultado da Oficina UMBIGO / Documentário / 05 min./ Uruçuca-Bahia. Sinopse: Esse vídeo foi resultado da Oficina de realização de áudio Visual, realizado no município de Serra Grande, pelo projeto Umbigo. O Curta registra as histórias e personalidades que carregam a ancestralidade afro-indígena presente no distrito. No processo discutimos algumas questões como; intolerância religiosa, o genocídio a juventude negra, a discriminação as culturas afro-indígena, e a necessidade de valorização e resgate da cultura tradicional; como o samba de roda, a capoeira e os cultos de matrizes africanas.


UMBIGO / de Cauê Rocha / Documentário / 52 min. / Bahia. Sinopse: Umbigo é nossa fonte ancestral, por onde nos alimentamos e crescemos. Umbigo é a ligação entre dois ou mais corpos. Cordão de memórias! Nesse cordão, um menino segue em busca das histórias e memórias de sua mãe. No caminhar, o espelho de uma família popularmente brasileira, rural e retirante. Juntos, buscam compor a trajetória de vida da mãe: seu nascimento, as andanças em retirada com as irmãs, os reencontros e a força adquirida ao se tornar a parteira-mãe Val. Um filme-reencontro entre mulheres, filhas, filho e famílias. Um reencontro com a força feminina. Um cordão de memórias que nos leva ao momento mais importante da vida: a hora de nascer.



31-10-15
Cineclube Ciranda 18:30
Território do Brincar / de David Reeks e Renata Meirelles / Documentário / 90 min. / São Paulo. Sinopse: Esta produção é fruto de um percurso de 21 meses de viagem por uma vasta geografia de gestos de crianças das mais diversas realidades brasileiras, para encontrar caminhos por dentro de todos nós. O longa metragem assume o brincar infantil como narrativa que sustenta uma história na íntegra. Os adultos ficam de fora das imagens desse filme, mas o espectador certamente se sentirá representado pelo potencial do brincar dessas crianças. Assumimos uma linguagem que não pretende ser didática ou ter a intenção de provocar discussões sobre o certo e o errado na educação, e confiamos na comunicação pela força sensível infantil. Este filme é parte de um projeto de pesquisa, registro e difusão que integra diferentes produções culturais. Uma realização que entende o cinema como uma excelente porta para enxergar a mudança que se quer ver.

Cineclube Cine do povo 20:00
Cine do Povo: Uma história de Luta/ Documentário / 19 min. / Bahia. Sinopse: O Cineclube Comunitário do Povo é uma organização que há mais de três anos atua nas periferias de Cachoeira-BA com a realização de ações permanentes centradas em uma política cultural comunitária, abrangendo instrumentos como cinema, educação popular, movimento Hip Hop, entre outros elementos culturais da juventude negra periférica. Atualmente o Cine é coordenado por jovens da Comunidade do Viradouro, um conselho fundador e articulado por uma rede ampla de artistas locais, militantes do movimento negro e lideranças comunitárias. O filme "Cine do Povo: Uma história de Luta" é sobre isso, nossa gente, nossa luta.



O Retorno da Terra Tupinambá / de Daniela Alarcon / Documentário / 25 min.
Sinopse: Há dez anos, os Tupinambá esperam a conclusão do processo de demarcação de sua terra. Nesse quadro, vêm realizando ações coletivas conhecidas como retomadas de terras, recuperando numerosas áreas no interior de seu território que estavam em posse de não-indígenas. Por essa razão, têm sido alvos de criminalização e ataques violentos, tanto por parte do Estado brasileiro, como por indivíduos e grupos contrários à garantia de seus direitos. Para contar essa história, reunimos depoimentos e sequências gravadas em maio de 2014 na aldeia Serra do Padeiro, na Terra Indígena Tupinambá de Olivença, sul da Bahia (Brasil), assim como imagens de arquivo. No filme, a história de expropriação e resistência dos Tupinambá é narrada segundo a perspectiva dos indígenas, para quem a terra pertence aos encantados, as entidades mais importantes de sua cosmologia.

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Aguardamos vocês.