sábado, 6 de dezembro de 2014

Zines coletivos produzidos na III Jornada

Durante o segundo dia de III Jornada, foi realizada uma oficina sobre Zines e Comunicação Livre. Os zines são publicações artesanais e independentes, de livre reprodução, bastante usadas pelo movimento punk e movimentos sociais pelo mundo. É uma forma barata, autônoma e eficaz de compartilhar informações. Pela tradição, quem recebe um zine pode e tem a missão de xerocar, reproduzir e passar adiante essa ideia de multiplicar a comunicação livre. Importante também para a autonomia é a ideia de que o zine pode ser feito por qualquer pessoa. Não precisa ser especialista em design, desenho, texto ou usar programas de computador. A linguagem e o modo de fazer são livres. Você pode usar colagens, poesias, frases soltas e curtas, ou também textos longos. Você escolhe, você faz do seu jeito!

Na oficina realizada na Jornada, foram produzidos três zines: A Questão de Gênero em Comunidades Tradicionais e Camponesas; A Jornada de Agroecologia; e Sementes Crioulas. Baixe, reproduza e passe adiante.

Todos os zine estão disponíveis para baixar no Baobáxia.


VERSÕES DIRETA PARA BAIXAR

- Sementes Crioulas (Frente)
- Sementes Crioulas (Verso)
- A Jornada de Agroecologia (Frente)
- A Jornada de Agroecologia (Verso)
-  A Questão de Gênero em Comunidades Tradicionais e Camponesas (Capa e Verso)
A Questão de Gênero em Comunidades Tradicionais e Camponesas (Pag. 2 e 7)
A Questão de Gênero em Comunidades Tradicionais e Camponesas (Pag. 4 e 5)
A Questão de Gênero em Comunidades Tradicionais e Camponesas (Pagina 3 e 6)




VERSÕES PARA VISUALIZAÇÃO


  A Questão de Gênero em Comunidades Tradicionais e Camponesas 







A Jornada de Agroecologia da Bahia






Sementes Crioulas




Reflexões do 2º dia de Jornada

A mesa do segundo dia de III Jornada, realizada na sexta-feira (05/12), teve como tema Sementes, ciência e tecnologia para mudar a realidade das comunidades no campo e na cidade. As falas que embasaram o diálogo foram da Cacica Maria Muniz (Pataxó rã rã rãe), de Joelson Ferreira (Assentamento Terra Vista) e da professora Maria Aparecida (UFBA). À tarde, a Jornada seguiu com as oficinas, mini-cursos, feira de economia solidária e a 1ª Troca Troca de Sementes Crioulas. À noite foi voltada às celebrações culturais entre todos os povos presentes.




Mesa

A Cacica Maria inicia a mesa apresentando o livro que está em construção com mulheres indígenas de sua comunidade. Com a frase “semear cantando”, conta experiências sobre a produção em mutirão que ocorreu em seu território, integrando indígenas, assentados e quilombolas, trazendo a percepção da terra como símbolo de fertilidade e do trabalho coletivo em ritual, com cantorias tradicionais como torés. Em seguida, convoca a juventude para lutar “ombro a ombro” com o povo, refletindo sobre ideologias de desunião e sobre o mau uso de tecnologias que nos afastam da vivência. Finaliza sua fala com cânticos de força. 

A professora Maria Aparecida, da UFBA, contou a lenda do surgimento da agricultura a partir das mulheres, que destrincha a trajetória histórica das sementes como base da humanidade: “As sementes tem material genético, são a essência da vida, ou seja, são embriões”. Fez um breve histórico sobre a Revolução Verde, que disseminou a produção em massa de alimentos e agrotóxicos. Em contraponto, comentou sobre o surgimento do princípio da Agroecologia, nos anos 70. Apontou a agroecologia e as sementes crioulas como caminho para a efetividade da soberania alimentar: “Não se pode utilizar 100% das sementes. É preciso manejo sustentável, guardar uma parte para as produções futuras”. 

Joelson Ferreira, do Assentamento Terra Vista, apresentou o trabalho de uma cooperativa do MST no Rio Grande do Sul, chamada Bionatur, que produz sementes orgânicas para comercialização. A partir dessa experiência, lembrou que as sementes não são patrimônio das empresas que buscam controlar a nossa produção de alimentos, como a Monsanto e a Bayer. “Estamos com a riqueza nas mãos, agora é preciso cuidar delas”, indica Joelson ao lembrar da importância das trocas de sementes para a manutenção da produção e do cuidado com a terra, criando condições para chegarmos a soberania do povo. 

Joelson lembrou que as sementes modificadas são dependentes de veneno e os alimentos proveniente delas agem da mesma forma no nosso organismo, gerando doenças. Ressaltou que as mulheres sempre foram as guardiãs das sementes crioulas e sugere nossa tarefa: “Que cada um e cada uma se transforme em plantadores, cuidadores e semeadores de sementes. Se não tiver espaço para a produção, doe para alguém continuar o trabalho. Para isso, é preciso primeiramente acabar com a capitalismo e conscientizar o povo das cidades sobre a necessidade de voltar à terra, evitando que nosso povo morra nas periferias”. 

Ao final, Joélson convida o Mestre TC para explicar o significado do Baobá como árvore sagrada e ancestral no território africano. TC complementa indicando a necessidade de compreendermos que nós, seres humanos, semeamos valores junto com as sementes, porque também somos patrimônio da terra. “Precisamos ser boas sementes, tendo a generosidade como caminho”.












sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Diálogos dão início à 3ª Jornada


A III Jornada de Agroecologia da Bahia começou nessa quinta-feira, dia 4. Aos poucos, mais assentados, quilombolas, indígenas, estudantes e movimentos sociais chegam ao Assentamento Terra Vista e se unem às atividades que seguem até o domingo, 7 de dezembro. O primeiro dia de evento teve como sustentação o acolhimento e o diálogo entre os diversos elos que compõem a Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica. 

 

A Mística de Abertura abriu com o histórico da Jornada e da Teia, que inclui, desde 2012, vários trechos em comunidades tradicionais do Sul da Bahia, mobilizações com os tupinambás e a formação da Brigada Audiovisual. A mística ressaltou também a importância do movimento na luta pela liberdade das nossas sementes e da terra contra as grandes empresas do agronegócio. Após a mística, um representante de cada elo da Teia deu a saudação para o início da Jornada.



Joelson Ferreira, do Assentamento Terra Vista, trouxe para o debate uma posição clara para a realidade dos movimentos sociais no Brasil: “O país está dividido, todo mundo viu com as eleições desse ano. A burguesia sabe bem o seu lado. E é bom a gente ver que política tem lado. O nosso é a Agroecologia. Agroecologia é ciência, movimento e política”. 



Mesa de Abertura 

A cacique Maria Muniz (pataxó hã hã hãe) abriu a mesa de abertura com seus cânticos e torés de força. Com o tema Agroecologia, ciência, movimento e práticas para a transformação da sociedade, Fernanda, do NEPPA, mediou a mesa que iniciou com fala do Cacique Babau, conclamando a coletividade: 

“Se não abrirem a porta, tupinambá vai arrombar. Hoje estamos guerreando para retomar nossas terras e viver. Mas temos um problema no Brasil que são as lutas isoladas. A Teia pode ser uma oportunidade de unir os movimentos em prol de uma luta unificada. Se recebemos boas notícias e voltamos para casa, estamos perdidos. A bancada ruralista aumentou ainda mais e a Dilma criou leis muito ruins, permitindo que o exército nos persiga. Ou a gente luta junto ou eles vão votar a PEC 215 e todas as outras que prejudicam o povo.” 

Babau também questionou o modelo de educação das universidades que reproduzem a formação de mão-de-obra e ressaltou a educação como estratégia de luta. Falou ainda da urgência dos indígenas ocuparem lugares políticos de poder, pois estes, desde a constituição imperialista e da colonização do Brasil, são restritos. A própria FUNAI não permite que um indígena ocupe a sua presidência: “Precisamos de uma estratégia de transformação e ela tem que partir de nós”, ressaltou o cacique.


O argentino Pássaro, representante da Casa da Economia Solidária de Serra Grande, falou sobre a visão que os demais países da América Latina tem sobre o Brasil e de como nosso país é um território de rica biodiversidade ameaçada por empresas estrangeiras: “O Brasil representa uma liderança para a América Latina e precisa assumir essa responsabilidade”. Pássaro descreveu ainda experiências de outros países em prol da autonomia econômica e da libertação de editais de grandes empresas, como o modelo agroflorestal boliviano de produção familiar. 

Quenia Barreto comentou sobre a expansão, consolidação e diversidade de povos que integram a Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica na luta contra o sistema opressor: “É importante linkar o que fazemos com a espiritualidade”, concluiu. Após as falas, foram abertas as sessões de perguntas e debates. 

O fim do primeiro dia de Jornada terminou com celebração, samba de roda e cantos na fogueira. Assim, abrimos oficialmente e devidamente a III Jornada de Agroecologia da Bahia!


Atividades do 2º dia de III Jornada

.
No segundo dia da 3ª Jornada, as atividades se extendem e iniciam as oficinas, palestras, mini-cursos e Troca-Troca de Sementes Crioulas. Confira a programação e a lista de oficinas abaixo.



PROGRAMAÇÃO DE SEXTA-FEIRA (05.12.14)

6h: Amanhecer Sagrado
8h: Mística de Abertura
      Mesa Interativa: Sementes, patrimônio genético dos povos e da humanidade
10h às 12h: Oficinas, mini-cursos, palestras
14h às 18h: Oficinas, mini-cursos, palestras
17h: Troca-Troca de Sementes Crioulas
      Feira de Economia Solidária
      Troca de Saberes
19h30: Cineclube
             Apresentações Culturais
             Fogueira


LISTA DE OFICINAS

Manhã

1. Soberania e Segurança Alimentar | Grupo EVA - SE
2. Mini-curso de Orientação Jurídica (turma I) | Josenaldo (MST)
3. Desossados | Adriana Bonfim (Milton Santos)
4. Cupolate (Chocolate e Cupuaçú) | Idelbrando (Milton Santos)
5. Manejo de Pequenos Animais (aves) | Gilmar (Milton Santos)
6. Compostagem | Isaac (Milton Santos)
7. Racismo e Identidade - Caminho para a Igualdade | Fórum de Ciso
8. Horta (Olericultura) | Eva + Edvaldo (Terra Vista)
9. Comidas Alternativas | Aline Amado (Milton Santos)
10. Grafite | Leo Pessoa


Tarde

1. Torço e Turbante | Preta Ashanti - Casa do Boneco
2. Carteiras de Caixa de Leite | Rosemeire (Terra Vista)
3. Reciclagem de Pneus | Isaac Carvalho e Meiline Barbosa
4. Sabão Ecológico | Isaac Carvalho e Meiline Barbosa
5. Roda de Conversa: Economia Agroecológica Solidária | Gabriela (Ministério do Trabalho)
6.  Zines e Comunicação Livre | Keyane, Nara e Mariana Tum (Mercado Sul / Taguatinga-DF)
7. Associativismo e Cooperativismo na Economia Solidária | Cesol
8. Qualidade do Cacau | Adriana e Tati (Cabruca)
9. Oficina de Pintura de Panos | Ronison (Milton Santos)
10. Tapete com TNT e Sacolas Plásticas | Cristina (Terra Vista)
11. Coleta de Sementes Nativas com GPS + Dossel | Natália (Serra Grande)
12. Produção de Velas Aromáticas - Turma I | Ana Maria
13. Energia Alternativa | IFBaiano
14. Sistemas Agroflorestais (SAF) | MST
15. Mini-curso de Orientação Jurídica (turma I) | MST
16. Associativismo e Cooperativismo na Economia Solidária  | CESOL
17. Lidar Bem no Campo | Sebrae




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Chamada para a III Jornada

Na quarta-feira, dia 3, enquanto a pré-produção da Jornada finalizava os últimos preparativos, a Brigada Audiovisual gravou mais uma chamada para a III Jornada de Agrecologia. Dessa vez, assentados do Terra Vista, Elos da Teia e visitantes que já se integraram à organização convocam para a Jornada, que começa hoje. Logo mais, iniciaremos a Mística de Abertura, seguida de Diálogo com o tema Agroecologia, ciência, movimento e práticas para a transformação da sociedade. Vem você também!



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Jornada: I Feira Troca Troca de Sementes Crioulas

A III Jornada de Agroecologia da Bahia vem com novidade. Vamos integrar à programação a I Feira Troca Troca de Sementes Crioulas e Economia Solidária. 
 
Convidamos tod@s que vierem para a Jornada a participar. Tragam suas sementes, mudas e saberes para trocar e semear.
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

PROGRAMAÇÃO - III Jornada de Agroecologia da Bahia




III JORNADA DE AGROECOLOGIA DA BAHIA

Assentamento Terra Vista – Arataca | Bahia

3 a 7 de dezembro de 2014



Tema Geral: 
Semente, ciência e tecnologia para mudar a realidade das comunidades no campo e na cidade


PROGRAMAÇÃO 

03.12 (quarta)
8h às 18h: Chegada, credenciamento, alojamentos


04.12 (quinta-feira)
6h: Amanhecer Sagrado
8h às 11h: Caminhada pelo Assentamento
14h: Mística de Abertura
19h30: Diálogos com o tema de abertura: Agroecologia, ciência, movimento e práticas para a transformação da sociedade 


05.12 (sexta-feira)
6h: Amanhecer Sagrado
8h: Mística de Abertura
      Mesa Interativa com o tema: Sementes, patrimônio genético dos povos e da humanidade
10h às 12h / 14h às 18h: Oficinas, mini-cursos, palestras (em breve, lista das atividades)
17: Troca-Troca de Sementes Crioulas
      Feira de Economia Solidária
      Troca de Saberes
19h30: Cineclube
             Apresentações Culturais
             Fogueira


06.12 (sábado) 
6h: Amanhecer Sagrado
8h: Mística de Abertura
      Mesa Interativa com o tema: Agroecologia, educação e luta de classe
10h às 12h / 14h às 18h: Oficinas, mini-cursos, palestras (em breve, lista das atividades)
17: Troca-Troca de Sementes Crioulas
      Feira de Economia Solidária
      Troca de Saberes19h30: Grande Confraternização


07.12 (domingo) 
8h30: Memória dos dias aateriores
          Leitura do Documento Final para deliberações
          Mesa interativa com o tema: Agroecologia e Governança
          Encaminhamentos
          Leitura de aprovação do Documento Final
13h30: Encerramento com grande cortejo e mística
.