terça-feira, 21 de outubro de 2014

Terra Vista, Unidxs!

Em depoimentos gravados entre 4 e 8 de março de 2014, moradoras e moradores do Assentamento Terra Vista contam como a vida é melhor quando as pessoas se unem para lutar pelos direitos, para produzir, para estudar, para brincar e, principalmente, cuidar do solo e do planeta.

No vídeo abaixo, elas e eles mostram mostra na prática as vantagens da soma dos conhecimentos e esforços dos movimentos de luta pela terra com indígenas, quilombolas e outros movimentos sociais, no desafio da autonomia e sustentabilidade.

Exemplos disso são as Jornadas de Agroecologia e a Teia Agroecológica, que vem semeando agroflorestas e dignidade em antigas fazendas monocultoras que já desertificaram várias regiões do país e agora estão retomadas por suas legítimas donas e donos ou por movimentos que querem trabalhar pelo bem estar da população e do planeta.

O vídeo é uma produção da Brigada Audiovisual dos Povos, com edição do compa Angel Luis. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Lançando o convite - III Jornada de Agroecologia da Bahia



É com muita alegria que os movimentos, povos, comunidades e instituições que participam da Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica vem convidá-l@ para a III Jornada de Agroecologia da Bahia.

A mobilização da rede e a continuidade das jornadas objetiva especialmente promover a troca permanente de saberes agroecológicos, tradicionais, identitários capazes de colaborar com o desenvolvimento das comunidades, com o resgate e expansão das praticas agroecológicas e especialmente com a soberania popular.

Deste modo, a III Jornada de Agroecologia da Bahia será realizada por essa Rede, objetivando aprofundar na construção dos princípios, práticas, encaminhamentos e unidade entre os povos que compõe essa TEIA, bem como envolver novos Elos. Para tanto, a programação deste encontro será baseada em espaços de diálogos, oficinas, mini cursos, feira de troca, especialmente com o enfoque: "Sementes, Ciência e Tecnologia agroecológica, para mudar a realidade das comunidades indígenas, quilombolas, das áreas de assentamentos e espaços urbanos".

Em breve, programação completa!


INFORMAÇÕES GERAIS
O LOCAL DA JORNADA: Assentamento Terra Vista, Arataca – Bahia
Data:
4 a 7 de dezembro de 2014
Chegada:
dia 03 para montar acampamento


Inscrições nos formulários online:





segunda-feira, 30 de junho de 2014

Teia anuncia seu Encontro de Vivências Agroecológicas. "Diga ao povo que não vamos parar de avançar!


A Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica existe desde a 1ª Jornada de Agroecologia da Bahia em 2013. De lá pra cá, um conjunto de práticas e de mobilização social e política vem acontecendo. Estamos tratando de um Movimento agroecológico inserido nos movimentos e comunidades, promotor de mudanças para uma nova sociedade a partir da emancipação, autonomia e dignidade do ser humano, da mãe terra e das suas sementes.

Esse movimento tem ousado uma agroecologia com integração dos povos a partir de princípios como o da diversidade, espiritualidade, rebeldia e defesa dos territórios. No Encontro de Vivências Agroecológicas no Assentamento Terra Vista, avançaremos nos aprendizados práticos e político organizativos da Teia. Serão 14 dias intensos de estudos, trocas e práticas, como uma "vivência - escola popular", na perspectiva de aprendizagem para avançar firme em direção a III Jornada de Agroecologia da Bahia, em direção aos sonhos que só se multiplicam... em direção à liberdade!

Para esse encontro, é obrigatório confirmar inscrição pelo email jornadadeagroecologiadabahia@gmail.com e levar:

- barraca 
- Kit sobrevivência: copo, prato, talheres
- alimentos 
- sementes crioulas


segunda-feira, 12 de maio de 2014

I Encontro de Formação Política da Teia avança na organicidade e no conceito sobre sua rede e sobre a agroecologia​


A TEIA Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica é um Movimento agroecológico inserido nos movimentos e comunidades, promotor de mudanças para uma nova sociedade a partir da emancipação, autonomia e dignidade do ser humano, da mãe terra e das suas sementes.
A TEIA tem como princípios fundantes:

1- Terra e alimento como princípio filosófico, que se constrói através da solidariedade irrestrita aos movimentos pela defesa da territoriedade, tendo como instrumento a pedagogia do exemplo; 

2- O trabalho e o estudo para liberdade que possibilite a construção de um novo modo de vida, desconstruindo a herança dos modelos capitalista, racista e patriarcal.

3- Reafirmar o olhar ancestral na edificação de um novo tempo, do nosso jeito.

Durante o período de 07 a 11 de maio, aconteceu o processo de formação para o fortalecimento dos elos da TEIA, possibilitando uma visão comum, descentralizada e igualitária a todxs. 

Neste espaço formativo dos elos da TEIA, foi possível conhecer as nossas lutas e visualizar a importância de cada elo. Compreendendo os processos construtivos para uma nova mulher e um novo homem a fim de edificar uma nova sociedade.
Convocamos todas e todos a ingressar nessa luta, para que, com a iluminação do sol e paciência do baobá, possamos alcançar a vitória de uma luta iniciada por nossos ancestrais.

Diga ao povo que avance!
Avançaremos!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Marcha dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica - assistam!


A Marcha dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica levou mais de 400 pessoas para a convivencia e troca de conhecimentos com o povo Tupinambá da Serra do Padeiro entre 14 e 16 de março de 2014.
Assista um pouco da história desse povo e do compromisso de união assumido entre vários indivíduos e entidades pela democratização das terras, pela democratização dos meios de comunicação, por uma educação com a cara de nosso povo, com a agroecologia e com a História do Brasil.

Poesia - A Teia

 

Toda a história da generosidade falsa dos nossos opressores 
Não vale um dia de luz da solidariedade dos povos oprimidos. 
A mão estendida nada mais receberá 
Senão outra mão estendida 
Para construir o que se quer. 
Toda a história da generosidade falsa dos nossos opressores 
Não vale um dia de luz da solidariedade dos povos oprimidos. 
Os passos corridos não caminharão para as pedras 
Será a terra justa nosso caminho. 
O alimento dado aos que tem fome será negado 
Senão o alimento da partilha, o alimento da vida. 
A vida para os que aprenderam a amar vivendo 
Será alimento para os que têm fome não só de comida. 
Toda a história da generosidade falsa dos nossos opressores 
Não vale um dia de luz da solidariedade dos povos oprimidos. 
Os sonhos estéreis dos opressores serão de nós recolhidos 
Sonharemos com o mundo no qual as palavras 
Sejam coloridas com a tinta que transmuta 
Toda luta em sonho Todo sonho em luta. 

Magno Luiz da Costa Oliveira - Trabalhador da Educação

"A libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores ou não haverá libertação."

sexta-feira, 21 de março de 2014

Somos tod@s Cacique Babau. Entenda porque refletindo trechos de sua fala...

Os Tupinambá expulsaram do território todos os que estavam ofendendo o meio-ambiente. Os que estavam pescando com venenos e acabando com a vida do rio, os que estavam incendiando a mata. A Escola Estadual Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro conta com 663 alunos da aldeia e da região. Há 25 nascentes no território. Devido ao cuidado e ao reflorestamento por parte dos índios, o nível da água do rio subiu dois metros e meio. Se os rios secam, os peixes não se reproduzem. Os tupinambás, reflorestando áreas degradas, deixaram a serra intacta. Na serra a cadeia alimentar está completa. Há um equilíbrio, do qual a comunidade faz parte.

Os Tupinambás não gostam de ver as pessoas humilhadas. O governo queria autorizar apenas o atendimento de pacientes indígenas no posto de saúde. Significa que se qualquer pessoa não índia necessitasse de atendimento médico no território, não poderia ter acesso. Os tupinambás não se conformaram, lutaram e hoje qualquer pessoa pode ser atendida no posto de saúde.
(...)
O Eucalipto não tem predador natural. Os desertos verdes são ambientes sem vida, sem água, sem natureza, sem o canto dos passarinhos. O eucalipto gera desequilíbrios ecológicos (pois a natureza é viva e tentará se adptar àquele meio inóspito!), como grandes pragas, que chegam a afetar a produção agrícola das circunvizinhanças.
Violência não resolve, submissão não resolve. A luta também não pode depender de dinheiro, porque se falta dinheiro vamos desistir da luta? Negra Zeferina aprendeu a guerrear com os tupinambás. Sempre quando estava para ter uma guerra, se fazia muita farinha, para que ninguém passasse fome, mesmo que passassem por outras necessidades. Os índios não podem ficar dependendo de FUNAI para fazer as coisas. A FUNAI não funciona e é feita para não funcionar.
O povo tem que ter inserção nas questões públicas. Podemos fazer as coisas localmente. Aquilo que é bem feito localmente e funciona, reverbera em todos os lugares. Temos que ter uma renda compatível para bancar a luta. É melhor se bancar. Não podemos ficar dependendo de projeto. 

Temos que revolucionar nosso querer, com garra e coragem. A força tem que ser canalizada. Temos que nos fortalecer e nos preparar para vencer. Temos que viabilizar uma forma de vida que não precise se vender, como uma espécie de corrupção. Se o movimento cuida dos seus, os seus não precisam pedir a outros, não precisam arrastar caneco e pedir esmolas.
A luta também não pode depender do ódio. Tomar raiva de outra pessoa é coisa ruim que se apossa de você. A luta não pode ser mantida pelo ódio, mas pelo amor.
Na aldeia Tupinambá não há alcoolismo, os companheiros não batem em suas companheiras (violência doméstica) e pouquíssimos fumam, nós resolvemos nossos próprios problemas, a partir da orientação dos encantados. Dissemos às igrejas evangélicas que quiseram subir a Serra do Padeiro: levem o culto para onde se precisa de Deus. Aqui nós temos Deus, temos nossa proteção, temos nossos encantados. A fé une o povo.

Precisamos confiar mais uns nos outros. A lógica imposta é de dividir para governar. Colocar movimento contra movimento, povo contra povo. Lutar por terra é lutar por poder. Não existe liberdade sem terra. Precisamos traçar uma aliança pela terra. Terra não se ganha, terra se conquista! Lutar é lutar, não é esperar que alguém seja sorteado. No futuro, devemos fazer ações com mais radicalidade e compreensão.

(Transcrição da fala do Cacique Babau na tarde do dia 14 de Março de 2014. Colaboração Camila Antero/NEPPA )